Polícia

Suspeito de deixar corpo em mala utilizava IA e redes sociais para atrair mulheres em Porto Alegre, diz Polícia

Investigação não descarta outras vítimas

O publicitário Ricardo Jardim utilizava tecnologia para atrair mulheres, diz Polícia Civil
O publicitário Ricardo Jardim utilizava tecnologia para atrair mulheres, diz Polícia Civil Foto : PC / CP

O publicitário Ricardo Jardim, de 66 anos, utilizava tecnologia para atrair mulheres. Segundo a Polícia Civil, o homem é apontado como suspeito de esquartejar uma mulher e deixar parte do corpo dela em uma mala na rodoviária de Porto Alegre. A informação foi revelada em coletiva nesta sexta-feira, um dia após ele ter sido preso.

De acordo com o Departamento de Homicídios (DHPP), o suspeito administrava perfis falsos nas redes sociais. Por meio de Inteligência Artificial (IA), se passava por jovens na faixa de 20 anos, com a intenção de atrair mulheres. Também fingia ser praticante de esportes

"Ele era bastante ativo nas redes sociais. Tinha habilidade com tecnologias e utilizava ferramentas de Inteligência Artificial em seus perfis e, assim, atraía mulheres”, disse o delegado André Freitas, titular interino da 2ª Delegacia de Homicídios.

Outra investigação busca esclarecer se o preso fez outras vítimas por meio da internet. “Ele tem traços de personalidade de assassino em série”, pontuou o diretor do DHPP, delegado Mario Souza.

Quem é a vítima

Foi identificada como Brasilia Costa, de 65 anos, a vítima de esquartejamento. Ela trabalhava como manicure e era natural de Arroio Grande. O irmão dela é sargento da Brigada Militar, da reserva.

A mulher era vizinha do criminoso, que residia em uma pousada no bairro São Geraldo. Os dois mantinham relacionamento amoroso há seis meses.

Segundo a investigação, após o crime, o homem utilizou o celular da namorada para mandar mensagens aos parentes dela e fingia ser a mulher. Por isso, o desaparecimento não foi registrado.

Motivação financeira

O titular interino da 2ª DHPP, André Freitas, afirmou que o preso estava foragido desde abril do ano passado. Nesse intervalo de tempo, era sustentado com a ajuda da namorada, apesar de ter formação como publicitário. A suspeita é que o crime tenha sido cometido por motivação financeira.

"Acreditamos que o criminoso agiu com motivações financeiras. Ele estava foragido, ou seja, em uma situação complicada para ganhar dinheiro. Sabemos que a mulher fez transferência de valores ao companheiro durante todo o relacionamento. Além disso, depois do crime, o homem ainda realizou saques bancários com os cartões da vítima”, destacou Freitas.

Condenação por morte de mãe

O mesmo preso foi condenado, em 2018, a 28 anos de reclusão por matar e concretar a própria mãe, em 2015, no bairro Mont’Serrat. Conforme o Ministério Público, a motivação desse crime foi, também, econômica.

"A vítima usufruía do seguro de vida do falecido marido, no valor de R$ 400 mil, do qual o filho se apossou após o crime. Ela foi morta com 13 facadas nas costas”, destacou o MP, na época dos fatos.

No julgamento, o réu confessou que ocultou o cadáver, mas negou a morte. Segundo ele, a mãe se suicidou. Jardim foi considerado culpado por três crimes: homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e meio cruel), ocultação de cadáver e posse de arma.

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