Polícia

Testemunhas descrevem morte de homem atingido por hélice de lancha em Porto Alegre: "Tragédia"

Leonardo Silva Couto, de 30 anos, morreu em acidente na Ilha das Flores

Ponto onde Leonardo Silva Couto morreu atingido por hélice de lancha na Ilha das Flores
Ponto onde Leonardo Silva Couto morreu atingido por hélice de lancha na Ilha das Flores Foto : Marcel Horowitz / Especial / CP

Um homem morreu ao ser atingido pela hélice de uma lancha na Ilha das Flores, no bairro Arquipélago, em Porto Alegre, no fim da tarde dessa quinta-feira. A vítima foi identificada como Leonardo Silva Couto, de 30 anos. Os atos fúnebres ocorrem nesta sexta-feira, no Cemitério Jardim da Paz.

A reportagem do Correio do Povo esteve no local e conversou com testemunhas do acidente. “Foi uma grande tragédia. Ele sofreu um corte profundo e acabou ficando preso na hélice. Quando içaram a lancha da água, ainda estava ali, já sem vida. Acidentes são comuns aqui na região, mas esse foi o mais grave que presenciei. Estamos chocados”, lamentou o proprietário de outra embarcação.

Já de acordo com Valdinei Rodrigues, que trabalha como vigia, o atendimento da ocorrência movimentou as forças policiais. “Foi uma correria imensa. Logo a área se encheu de viaturas e sirenes. A passagem ficou trancada para outros carros. Todos estavam bastante assustados com o que havia acabado de acontecer”, disse.

O caso ocorreu por volta das 17h30min, quando a vítima estava na companhia de uma mulher e mais dois casais de amigos. De acordo com a Polícia Civil, o grupo alugou a lancha para uma confraternização. Também havia o marinheiro de uma empresa terceirizada, responsável por guiar a embarcação.

Conforme o delegado Pablo Rocha, que atendeu a ocorrência, três mulheres e um homem permaneceram na lancha, que estava em frente a um atracadouro com motor ligado em ponto neutro. O rapaz que morreu, um amigo dele e o marinheiro, tinham desembarcado e estavam no deck.

A vítima acabou caindo na água enquanto tentava embarcar, pois o homem que estava na lancha teria mexido no manete, deslocando o barco para frente. Foi então que as mulheres teriam começado a gritar, assustando o sujeito dentro do barco, que tentou reverter a manobra e engatou marcha à ré, atingindo o outro que estava na água. Ele morreu na hora.

Segundo o delegado, o homem que teria deslocado a lancha tem 44 anos e estava embriagado. Foi preso em flagrante. O marinheiro teria sido o único dos presentes que não consumiu bebida alcóolica.

“O que aconteceu foi uma grande irresponsabilidade. O suspeito até era habilitado para dirigir embarcações, mas estava totalmente alcoolizado e não tinha qualquer condição para tal naquele momento. Ainda não sabemos o motivo que o levou a mexer no manete. Pode ter sido sem querer, ou até mesmo para derrubar a vítima na água propositalmente, como se fosse brincadeira. Fato é que essa atitude patética infelizmente acabou provocando a morte de outra pessoa. Ele vai responder por homicídio com dolo eventual, pois tinha noção que seu ato oferecia risco aos outros”, enfatizou o delegado Pablo Rocha.

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As testemunhas foram ouvidas ao longo de mais de dez horas de oitiva. Depois, liberadas sem indiciamento, à exceção do suspeito, que foi detido por crime inafiançável após o resultado do etilômetro. “Ele nega ter mexido no manete da lancha, mas todos os relatos indicam o contrário”, pontuou Pablo Rocha.