Um homem morreu ao ser atingido pela hélice de uma lancha na Ilha das Flores, no bairro Arquipélago, em Porto Alegre, no fim da tarde dessa quinta-feira. A vítima foi identificada como Leonardo Silva Couto, de 30 anos. Os atos fúnebres ocorrem nesta sexta-feira, no Cemitério Jardim da Paz.
A reportagem do Correio do Povo esteve no local e conversou com testemunhas do acidente. “Foi uma grande tragédia. Ele sofreu um corte profundo e acabou ficando preso na hélice. Quando içaram a lancha da água, ainda estava ali, já sem vida. Acidentes são comuns aqui na região, mas esse foi o mais grave que presenciei. Estamos chocados”, lamentou o proprietário de outra embarcação.
Já de acordo com Valdinei Rodrigues, que trabalha como vigia, o atendimento da ocorrência movimentou as forças policiais. “Foi uma correria imensa. Logo a área se encheu de viaturas e sirenes. A passagem ficou trancada para outros carros. Todos estavam bastante assustados com o que havia acabado de acontecer”, disse.
O caso ocorreu por volta das 17h30min, quando a vítima estava na companhia de uma mulher e mais dois casais de amigos. De acordo com a Polícia Civil, o grupo alugou a lancha para uma confraternização. Também havia o marinheiro de uma empresa terceirizada, responsável por guiar a embarcação.
Conforme o delegado Pablo Rocha, que atendeu a ocorrência, três mulheres e um homem permaneceram na lancha, que estava em frente a um atracadouro com motor ligado em ponto neutro. O rapaz que morreu, um amigo dele e o marinheiro, tinham desembarcado e estavam no deck.
A vítima acabou caindo na água enquanto tentava embarcar, pois o homem que estava na lancha teria mexido no manete, deslocando o barco para frente. Foi então que as mulheres teriam começado a gritar, assustando o sujeito dentro do barco, que tentou reverter a manobra e engatou marcha à ré, atingindo o outro que estava na água. Ele morreu na hora.
Segundo o delegado, o homem que teria deslocado a lancha tem 44 anos e estava embriagado. Foi preso em flagrante. O marinheiro teria sido o único dos presentes que não consumiu bebida alcóolica.
“O que aconteceu foi uma grande irresponsabilidade. O suspeito até era habilitado para dirigir embarcações, mas estava totalmente alcoolizado e não tinha qualquer condição para tal naquele momento. Ainda não sabemos o motivo que o levou a mexer no manete. Pode ter sido sem querer, ou até mesmo para derrubar a vítima na água propositalmente, como se fosse brincadeira. Fato é que essa atitude patética infelizmente acabou provocando a morte de outra pessoa. Ele vai responder por homicídio com dolo eventual, pois tinha noção que seu ato oferecia risco aos outros”, enfatizou o delegado Pablo Rocha.
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As testemunhas foram ouvidas ao longo de mais de dez horas de oitiva. Depois, liberadas sem indiciamento, à exceção do suspeito, que foi detido por crime inafiançável após o resultado do etilômetro. “Ele nega ter mexido no manete da lancha, mas todos os relatos indicam o contrário”, pontuou Pablo Rocha.