A crescente de casos de intoxicação de metanol após o consumo de bebidas alcoólicas está gerando preocupação na sociedade médica brasileira e também na população. Sem uma confirmação de origem específica das contaminações, ou adulterações, uma técnica que permita testar bebidas antes do consumo de forma rápida ainda não está disponível no mercado.
Nas redes sociais têm surgido o questionamento: existem testes rápidos para identificar a presença de metanol em bebidas alcoólicas?
"Não existe nenhum teste, nada que a população ou donos de bares e restaurantes possam testar nas bebidas”, afirma o farmacêutico e coordenador do Laboratório de Análise Toxicológica da Universidade Feevale, Rafael Linden.
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Contudo, o professor de toxicologia destaca que existem alguns equipamentos portáteis, mas que “são bem caros, sofisticados: são espectrofotômetros portáteis que até podem detectar, mas não são facilmente disponíveis”.
“Não tem um teste químico rápido, como aqueles testes de identificação de drogas rápidos para metanol”, reforça Linden.
O especialista explica que o metanol é muito parecido clinicamente com o etanol, que é álcool comum nas bebidas. “Então, normalmente, para identificar a presença dele (metanol) aqui no Rio Grande Sul são feitos testes em um equipamento de bancada, dentro de um laboratório especializado. O equipamento consegue diferenciar os vários componentes que existem naquele produto. Para essa análise, a gente usa uma técnica chamada de cromatografia a gás”, conta Linden.
Em 2022, pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) desenvolveram um método para testagem rápida de metanol em bebidas alcóolicas, incluindo uísque, cachaça e vodca, além de outros produtos como gasolina e no etanol. Na época, a pesquisa da Unesp sugeriu a venda desse teste em torno de R$ 15.
Apesar de promissor, Linden afirma que esse produto não está disponível comercialmente. De acordo com ele, embora a solução seja sugerida em baixo custo ao público final, a produção tem custo maior.
A instituição estaria na busca de parceiros para desenvolver o produto e disponibilizar para o comércio. "Olha, nós estamos com a tecnologia e queremos achar um parceiro para transformar a tecnologia em produto comercial", opina Linden sobre publicação da Unesp em relação ao teste rápido desenvolvido.
De acordo com o Ministério da Saúde, até o começo da noite desta sexta-feira, 3, são 113 casos notificados, sendo 11 confirmados e 102 em investigação. Conforme a pasta, 101 casos são em São Paulo (11 confirmados e 90 em investigação), 6 casos em investigação em Pernambuco, dois em investigação na Bahia e no Distrito Federal, e um caso está sendo investigado no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Ainda conforme o órgão de saúde, dessas notificações, 12 são de óbitos. Um óbito confirmado no estado de São Paulo e 11 estão sendo investigados: oito em São Paulo, um em Pernambuco, um na Bahia e um no Mato Grosso do Sul.
O Rio Grande do Sul não tem casos registrados, mas o governador Eduardo Leite anunciou a criação de um comitê para acompanhar possíveis casos de contaminação pela substância.
O Ministério da Saúde já divulgou uma orientação para que as pessoas evitem o consumo de bebidas, especialmente de destilados.