O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou na manhã desta quinta-feira a operação Curriculum Vitae com o objetivo de combater os crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro que podem ter movimentado cerca de R$ 16 milhões entre 2008 e 2013. A ação, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), ocorreu em Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, onde foram presas três pessoas em duas residências e um consultório médico em Porto Alegre. Além das prisões, o MPRJ obteve o sequestro de bens e bloqueio de valores de todos os denunciados e de ambas empresas.
Segundo o MPRJ, a ação cumpriu mandados de prisão preventiva contra um ex-secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão de Búzios (RJ), além de outras cinco pessoas. De acordo com a denúncia, o suspeito, secretário municipal entre 2009 e 2012, seria o líder do grupo e se utilizava de diversas técnicas da lavagem de dinheiro, entre elas, estruturação (smurfing), mescla (commingling), transações comerciais e bancárias atípicas e incompatíveis com patrimônio e renda, dissimulação de negócios e transferências bancárias, além de sonegação fiscal.
Conforme o MPRJ, o ex-secretário constituiu uma empresa de fachada para que pudesse abrir contas e movimentar recursos dentro do esquema montado. A sede dessa empresa fantasma ficava em um apartamento de um prédio residencial. Ela travava relações jurídicas com duas sociedades offshore, sediadas em paraísos fiscais, visando a integração dos recursos lavados, sendo uma em Londres e outra nas Ilhas Virgens Britânicas. Uma fundação sem fins lucrativos, controlada por ele e por outros três denunciados, também foi criada.
Durante as investigações, o GAECO apurou que a ocultação e dissimulação do dinheiro se davam, em parte, mediante remessas ilícitas ao exterior, que retornavam ao Brasil como simulação de empréstimos tomados pelo ex-secretário, pela empresa de fachada e pela fundação, aparentemente de maneira legal.
Além disso, o suspeito se utilizava de todas as pessoas jurídicas mencionadas, e também dos demais denunciados, para movimentar os recursos ilícitos mediante milhares de transferências e transações bancárias entre as sociedades. A movimentação dos cerca de R$ 16 milhões nas contas correntes, mediante mais de 11 mil lançamentos, foram analisadas pela Divisão de Laboratório de Combate à Lavagem e à Corrupção (DLAB) do MPRJ.
Três presos em Porto Alegre em operação contra lavagem de dinheiro
Ofensiva do MP foi deflagrada no RS, RJ e SP