Transformar desafio em estratégia. Foi assim que a Polícia Civil de São Paulo, por meio do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), passou a atuar de forma inovadora no combate a roubos e furtos durante os blocos carnavalescos. A iniciativa consistiuna infiltração de policiais civis fantasiados, que se misturavam aos foliões para observar atitudes suspeitas e realizar prisões em flagrante, garantindo maior proteção à população durante a festa.
“A ideia surgiu da necessidade estratégica de intensificar o combate a furtos e roubos nas grandes aglomerações do Carnaval de São Paulo. A adoção de policiais disfarçados com fantasias facilitou a infiltração nos blocos, permitindo atuação preventiva e repressiva”, destacou a delegada Sandra Buzati, do DHPP, que coordenou as equipes no Carnaval.
Segundo a delegada, as fantasias foram escolhidas de forma planejada, priorizando personagens que se integrem naturalmente ao perfil dos eventos e observando critérios operacionais como conforto e segurança. “As equipes, formadas em média por seis a oito policiais, atuaram em locais definidos com base em análise de inteligência, que considera histórico de ocorrências, fluxo de foliões e registros anteriores de furtos”, explicou.
Entre os comportamentos que despertaram suspeita estão indivíduos que circulam sem participar da festa, focados nos bolsos e bolsas dos foliões ou que se aproximam reiteradamente de pessoas distraídas. “O resultado alcançado foi extremamente positivo, pois aumentou as prisões em flagrante, reduzimos os furtos e ampliamos a sensação de segurança entre os foliões”, ressaltou a delegada.
Ela também esclareceu que as equipes não atuaram apenas em flagrantes. Durante abordagens, os agentes realizaram consultas em sistemas policiais e, quando necessário, utilizaram reconhecimento facial por meio de dispositivos móveis. Caso fosse identificado mandado de prisão em aberto, a captura seria imediatamente efetuada.
Criatividade no combate ao crime
No Carnaval 2026, as equipes do DHPP utilizaram fantasias emblemáticas em diversas operações. No dia 31 de janeiro, uma ação na região da Barra Funda resultou na prisão de 12 suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em crimes patrimoniais durante blocos.
No dia 7 de fevereiro, policiais infiltrados e fantasiados de extraterrestres prenderam quatro homens no Parque Ibirapuera - três por venda de bebidas clandestinas e um por estar com três celulares furtados escondidos sob a roupa.
No dia 8 de fevereiro, agentes caracterizados como “Caça-Fantasmas” prenderam um casal com celulares furtados durante megabloco na Consolação.
Já no dia 14 de fevereiro, três suspeitos foram presos por policiais fantasiados de personagens do desenho Scooby-Doo, com a recuperação de oito celulares.
No dia 15 de fevereiro, policiais civis fantasiados de personagens da turma do Chaves prenderam cinco suspeitos na região da República, no Centro. Dois homens foram detidos por tráfico de drogas, com apreensão de cigarros de maconha. Um terceiro homem foi flagrado com mais entorpecentes — incluindo maconha, cocaína e lança-perfume — além de dinheiro. Duas mulheres também foram presas por receptação de celular furtado.