Um dia após prestar esclarecimentos à Polícia Civil, Raquel Nörnberg esteve na sede do Ministério Público na manhã desta quarta-feira. Ela é a viúva do produtor rural Marcos Daniel Nörnberg. Ele foi morto na madrugada da última quinta-feira, em uma ação realizada pela Brigada Militar, na casa da família, na zona rural de Pelotas. O novo depoimento, que durou em torno de duas horas, faz parte do inquérito policial militar instaurado pela Corregedoria da Brigada Militar.
Segundo o filho de Raquel, Rodrigo Motta, que a acompanhou, ela ficou muito abalada com o novo depoimento. "Foi bem difícil, pois haviam policiais militares próximos, o que é bem complicado. Hoje ainda pegamos o atestado de óbito, o que também foi muito ruim para ela", relata. Ele conta que, desde a madrugada da última quinta-feira, Raquel e a irmã de Marcos, Fábia Nörnberg não conseguem descansar. "Qualquer barulho, elas acordam", afirma.
Motta conta que Fábia e a enteada de Marcos, Fernanda Motta, também depuseram na Polícia Civil nesta quarta-feira. Responsável pela investigação, a delegada Walquíria Meder confirmou que recebeu o laudo do Instituto Geral de Perícias sobre o caso e que segue coletando depoimentos de familiares, para posteriormente ouvir os policiais envolvidos.
O advogado da família Marcelo Moura confirma que, as duas, devem ser ouvidas na manhã desta quinta-feira, pela Corregedoria da Brigada Militar e pelo Ministério Público. "Ainda não sabemos se serão arroladas outras testemunhas do caso, além dos investigados que prestarão depoimento após os familiares. Para mim, tudo que foi dito já tinha sido divulgado, mas alguns detalhes sempre aparecem nestes depoimentos, o que permitem avançar na investigação", observa. Os prazos para a investigação do inquérito civil de 30 dias e do militar é de 40 dias, mas ambos podem ser prorrogados.
O advogado Rafael Romeu, que trabalha na Associação dos Praças (Aspra), representa os 17 policiais militares que participaram da ocorrência na madrugada de quinta-feira. "Eu trabalho na associação e como são associados estou representando eles", esclarece. Romeu afirma que ainda não irá se manifestar oficialmente sobre o caso, pois aguarda ter acesso a toda a documentação dos dois inquéritos, tanto o a da Polícia Civil, como a da Brigada Militar. Na tarde desta quarta-feira, representantes do Ministério Público foram até o local onde Nörnberg faleceu.
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