Política

"Ações no STF foram tentativas de atrasar impeachment", diz Cunha

Presidentes afirmou que governo quis espernear porque não teria votos

Presidentes afirmou que governo quis espernear porque não teria votos
Presidentes afirmou que governo quis espernear porque não teria votos Foto : José Cruz / Agência Brasil / CP Memória
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, considerou normal a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de manter a ordem de chamada dos deputados na votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff que havia sido definida, nessa quinta-feira, pela própria Câmara. Segundo ele, as ações no STF contra o rito de impeachment foram uma tentativa, por parte de quem não tem votos, de atrasar o processo e de substituir o Poder Legislativo.

"Na minha primeira decisão (de quarta-feira), eu já dizia que no meu entendimento deveria prevalecer (na chamada dos deputados para a votação) a alternância de Norte para Sul, mas segui os precedentes da Casa, pois não queria ter nenhum sobressalto. Depois, quando os precedentes foram contestados (por questões de ordem de deputados), mandei estudá-los com profundidade e fiz a interpretação literal do Regimento, que era a minha opinião original”, explicou Cunha.

Segundo ele, o julgamento do STF na noite desta quinta-feira abordou “questões menores”, como as latitudes dos estados, que não alteram em nada o processo, pois de qualquer maneira todos os deputados vão ser chamados a votar contra ou a favor da abertura do processo de impeachment.

"Há uma tentativa de jus esperneandi (direito de espernear) de quem está aparentemente sem voto, tentando buscar com isso alterar o processo ou até postergá-lo. Na falta de votos, tentam buscar argumentos para substituir o Poder Legislativo com questões de latitude”, criticou.

Expectativas


Cunha disse não estar “nem feliz nem triste” com o fato de o impeachment estar pronto para ser votado na Câmara depois de meses de discussão sobre o assunto. "Apenas cumpri a minha obrigação, o meu papel institucional", explicou.

Eduardo Cunha esclareceu que, se Dilma for afastada e Michel Temer assumir o Palácio do Planalto, ele, Cunha, jamais será vice-presidente da República. “Essa tese de que serei vice é uma história da carochinha de quem não conhece nem cumpre a Constituição. O presidente da Câmara substitui eventualmente, jamais sucede o presidente. É o substituto eventual, em nenhum momento o sucessor”, esclareceu.