Política

"A dor me impede de falar", diz Carvalho sobre Dirceu

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência evitou falar sobre o julgamento

Em uma rápida conversa com jornalistas no final desta manhã no Palácio do Planalto, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, evitou falar sobre o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). A uma pergunta específica sobre a situação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, um dos réus no caso, Carvalho disse: "A dor me impede de falar, neste momento, desta questão". Junto com a presidente Dilma Rousseff, ele participou nesta sexta da abertura da exposição das obras de Caravaggio em Brasília. 

Integrantes do STF emitiram vários sinais, durante a sessão dessa quinta-feira, de que José Dirceu será mesmo condenado por corrupção ativa de deputados que venderam seus votos para aprovar no Congresso projetos de interesse do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - entre os quais as reformas tributária e previdenciária. Além dos três votos favoráveis - até agora - à responsabilização de José Dirceu e do ex-presidente do PT José Genoino, pelo menos quatro ministros do STF que ainda não votaram questionaram trechos da conclusão do revisor do processo, Ricardo Lewandowski, que havia defendido a absolvição dos dois.

Após dizer que o Ministério Público Federal não havia conseguido provar que José Dirceu comandou o esquema, Lewandowski enfatizou: "Não acredito em Papai Noel. Eu disse que é possível que tenham operado a mando de alguém. Mas não estou encontrando provas". Marco Aurélio Mello interveio em seguida e indagou, em uma referência velada ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não foi denunciado: "Não estaria denunciado no processo?" A ideia, segundo explicaram integrantes da Corte, é que ou Dirceu é culpado ou Lula deveria fazer parte da ação penal.

Já o ministro Gilmar Mendes contestou o fato de, em sessões anteriores, Lewandowski ter condenado deputados por corrupção passiva, mas ter dito, nesta quinta, que é contraditória a tese de compra de votos. "Não há contradição?", questionou Mendes. Outra crítica ao voto do revisor partiu do presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto, depois de Lewandowski afirmar que o delator do esquema, Roberto Jefferson, não confirmou perante a Justiça as acusações feitas em entrevistas e na CPI. "Ele não desmentiu. Ele confirmou", corrigiu Britto.

Decano do STF, o ministro Celso de Mello também contestou trechos do voto de Lewandowski. O revisor disse que não tinha identificado ato de ofício que comprovasse o envolvimento de acusados. "O MP apontou a reforma tributária e previdenciária", disse Mello. "O fato de apontar não me impressiona. É preciso provar", respondeu Lewandowski.