O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou a "quantidade de material probatório" no processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros réus por tentativa de golpe de Estado. No entanto, ele questionou o tempo concedido para que as defesas analisassem a vasta quantidade de provas, sugerindo que o prazo pode ter comprometido o direito à ampla defesa.
Fux elogiou o "trabalho exaustivo" e o "relatório muito denso" do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Ele reconheceu que a complexidade do processo, que envolve milhões de mensagens e 1.200 equipamentos eletrônicos apreendidos, representou um desafio até para ele, mas enfatizou que o acusado deve ter acesso irrestrito a todas as provas produzidas.
"Tsunami de dados"
O ministro Fux classificou o volume de dados como um "tsunami", mencionando que a quantidade de informações chega a 70 terabytes, o que equivale a bilhões de páginas. Ele observou que as defesas só tiveram acesso à íntegra das mídias em 30 de abril de 2025, menos de 20 dias antes do início da oitiva das testemunhas.
Fux comparou o ritmo do atual julgamento com o do Mensalão, um processo complexo que levou cinco anos para ser julgado. Ele destacou que no caso do 8 de Janeiro, transcorreram apenas cerca de cinco meses entre o recebimento da denúncia e o início do julgamento.
Fux é o terceiro ministro a votar na ação, que tem Jair Bolsonaro e sete de seus aliados como réus. O placar do julgamento está 2 a 0 pela condenação, com os votos de Alexandre de Moraes e Flávio Dino.