Política

Acordo de PMDB e PSDB indica Anastasia para relatar impeachment no Senado

PT pretende questionar "parcialidade" de aliado de Aécio na comissão

PT pretende questionar "parcialidade" de aliado de Aécio na comissão
PT pretende questionar "parcialidade" de aliado de Aécio na comissão Foto : Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / CP
Um acordo feito entre o PMDB e o PSDB, nesta quarta-feira no Senado, permitiu que o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), um dos principais aliados do presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), seja o indicado a relatar os trabalhos no colegiado do impeachment. Ele já se declarou a favor do impedimento de Dilma Roussef. Já o nome apontado para presidir a comissão é o do senador Raimundo Lira (PMDB-PB).

A comissão se reunirá para eleger os escolhidos na segunda-feira para, no dia seguinte, começar os trabalhos. A expectativa é de que o parecer seja apreciado pelo colegiado no dia 11 de maio e, imediatamente no outro dia, em plenário.

Nesta quarta, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, definiu que vai enviar ao Senado, nos próximos dias, o roteiro que deve ser seguido no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A ideia é que a Casa siga o que foi definido pela Corte em dezembro, quando ficou decidido que o Congresso deveria adotar o mesmo rito do impeachment do ex-presidente Fernando Collor, em 1992.

Dono da maior bancada da Casa, com 18 senadores, o PMDB tinha direito a escolher entre a presidência e a relatoria dos trabalhos. Mas fechou um acordo nos bastidores com os tucanos para os peemedebistas ficarem com o comando da comissão e os tucanos, com a relatoria. Os dois partidos acertaram previamente - e conseguiram convencer outras legendas na reunião de líderes na terça-feira - realizar a escolha para os dois cargos a partir dos blocos partidários e não por bancadas. Isso garantiu aos tucanos, com bloco maior que o do PT, direito à segunda escolha, no caso, a relatoria.

Após ser indicado para a presidência da comissão, Lira adiantou que pretende manter o prazo máximo previsto legalmente para Dilma. "(Faremos) tudo o que pudermos dentro do regimento e das leis que regulamentam essa atividade. Daremos todas as condições para que a defesa seja feita da melhor forma e mais completa", disse.

Os petistas elogiaram a escolha de Lira, mas prometem questionar a "parcialidade" da escolha de Anastasia como relator. Querem outro nome e ameaçam recorrer à Justiça. "Com o Anastasia, já sabemos que vem um relatório a favor do impeachment", reclamou o senador Lindbergh Farias (RJ). "Não dá para pôr na relatoria alguém que tem posição definida, inclusive militante", fez coro a senadora e ex-ministra da Casa Civil de Dilma, Gleisi Hoffman (PR).

O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), responsável pela indicação de Anastasia, desdenhou da intenção dos petistas de tentar barrá-lo para a relatoria. "A Constituição garante o direito de petição, mas não tem o menor fundamento (tentar afastá-lo)", afirmou.

Um dia após a definição do rito, os líderes partidários já anunciaram os integrantes da comissão. Dos 21 nomes de titulares, 14 já anunciaram voto contra a presidente, apenas cinco são favoráveis e ainda há dois indecisos. PT não apresentou a lista de escolhidos porque pretende utilizar o limite do prazo regimental para tal.