No processo do mensalão, em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), Anita responde pelo crime de lavagem de dinheiro. Segundo o MPF, ela recebeu, entre junho de 2003 e 2004, a quantia de R$ 820 mil do publicitário Marcos Valério. Desse total, R$ 620 mil eram provenientes de cinco saques feitos em uma agência do Banco Rural, em Brasília. A defesa, porém, contesta esses dados do MPF e diz que, em vez de cinco, foram feitas apenas quatro operações “Tem um erro na denúncia. Fala-se em cinco condutas, mas foram quatro saques que ela fez no Banco Rural. Mas isso não tem problema. Falaram na tribuna que quase 100 pessoas fizeram a mesma coisa (saques a mando de outras pessoas)”, argumentou o advogado.
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De acordo com Mota, Anita não sabia da origem do dinheiro, ou seja, que os recursos vinham de empréstimos feitos pelo PT no Banco Rural. “Eu não sei se o contrato que o PT fez com o BMG e o Banco Rural era frio, era quente ou era gelado. Para Anita, também, não importa. Ela não sabia, ela não tinha esse conhecimento.” Mota destacou ainda que a ex-assessora apenas cumpriu ordens do ex-deputado Paulo Rocha. Segundo ele, o dinheiro seria usado para o pagamento de dívidas de campanha. “A verdade é que Anita estava cumprindo uma ordem superior. Não tinha domínio do fato.”
Durante sua sustentação oral, o advogado citou ainda a ausência do ministro Joaquim Barbosa, relator da ação penal, no plenário do STF. No entanto, o ministro Marco Aurélio Melo esclareceu que Barbosa está acompanhando toda a sessão em uma sala separada, pois, por problemas de saúde, não pode ficar muito tempo sentado. O advogado encerrou a sustentação oral citando trecho da música "O Tempo Não Para", de Cazuza, para criticar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. “Senhor procurador-geral, a tua piscina está cheia de ratos, as tuas ideias não correspondem aos fatos", citou o defensor.
Haverá ainda as defesas de outros ex-deputados federais petistas como Luiz Carlos da Silva, o Professor Luizinho (SP). Ele é acusado pelo Ministério Público de ter recebido R$ 20 mil do esquema montado pelo publicitário Marcos Valério para votar favoravelmente ao governo. Sua defesa sustenta que o dinheiro foi sacado por um ex-assessor sem o seu conhecimento, e que o valor foi repassado ao PT. Outro petista, o ex-deputado João Magno (MG), teria recebido R$ 360 mil do esquema. Segundo seu advogado, o dinheiro era para pagar dívidas de campanha.
O último réu a apresentar defesa será o ex-ministro dos Transportes, Anderson Adauto (agora no PMDB), atual prefeito de Uberaba (MG). Segundo a acusação, ele recebeu R$ 950 mil e ajudou a montar o esquema de compra de apoio político no PTB. O ex-ministro nega participação no esquema e afirma que o valor foi usado para pagar dívidas de campanha. Todos os réus que serão ouvidos nesta terça-feira são acusados de lavagem de dinheiro. Anderson Adauto também responde por corrupção ativa.
Após as defesas desta terça-feira restarão apenas as sustentações de advogados de três réus, que serão ouvidos na quarta-feira: José Luiz Alves, ex-chefe de gabinete de Anderson Adauto no ministério e os publicitários Duda Mendonça e Zilmar Fernandes. Em seguida, os ministros devem começar a leitura dos votos. O primeiro será o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa. Com mil páginas, a leitura do voto pode durar até quatro dias.
O mensalão
O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.
Trinta e oito nomes são réus do processo do mensalão. Os ministros do STF se esforçam para que o caso seja julgado por todos, uma vez que em setembro o ministro Cezar Peluso completa 70 anos e se aposenta da magistratura.
Com informações da Agência Estado e Agência Brasil