Política

Acusações contra ex-assessora de deputado são injustas, diz defesa

Luís Maximiliano Mota fez a defesa de Anita Leocádia, ré do mensalão, no STF

Advogado Luiz Maxmiliano Mota, defende Anita Leocardia, no nono dia de julgamento do processo do mensalão no STF
Advogado Luiz Maxmiliano Mota, defende Anita Leocardia, no nono dia de julgamento do processo do mensalão no STF Foto : Valter Campanato / ABr / CP
O advogado Luís Maximiliano Mota, defensor da ex-assessora parlamentar Anita Leocádia, disse nesta terça-feira que as acusações do Ministério Público Federal (MPF) contra sua cliente são injustas. Ela é acusada de intermediar repasses de verbas do esquema do mensalão para o ex-deputado Paulo Rocha (PT-PA). De acordo com Mota, "mais de 100 pessoas" também sacaram dinheiro do mensalão e não foram citadas na ação penal.

No processo do mensalão, em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), Anita responde pelo crime de lavagem de dinheiro. Segundo o MPF, ela recebeu, entre junho de 2003 e 2004, a quantia de R$ 820 mil do publicitário Marcos Valério. Desse total, R$ 620 mil eram provenientes de cinco saques feitos em uma agência do Banco Rural, em Brasília. A defesa, porém, contesta esses dados do MPF e diz que, em vez de cinco, foram feitas apenas quatro operações “Tem um erro na denúncia. Fala-se em cinco condutas, mas foram quatro saques que ela fez no Banco Rural. Mas isso não tem problema. Falaram na tribuna que quase 100 pessoas fizeram a mesma coisa (saques a mando de outras pessoas)”, argumentou o advogado.

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De acordo com Mota, Anita não sabia da origem do dinheiro, ou seja, que os recursos vinham de empréstimos feitos pelo PT no Banco Rural. “Eu não sei se o contrato que o PT fez com o BMG e o Banco Rural era frio, era quente ou era gelado. Para Anita, também, não importa. Ela não sabia, ela não tinha esse conhecimento.” Mota destacou ainda que a ex-assessora apenas cumpriu ordens do ex-deputado Paulo Rocha. Segundo ele, o dinheiro seria usado para o pagamento de dívidas de campanha. “A verdade é que Anita estava cumprindo uma ordem superior. Não tinha domínio do fato.”

Durante sua sustentação oral, o advogado citou ainda a ausência do ministro Joaquim Barbosa, relator da ação penal, no plenário do STF. No entanto, o ministro Marco Aurélio Melo esclareceu que Barbosa está acompanhando toda a sessão em uma sala separada, pois, por problemas de saúde, não pode ficar muito tempo sentado. O advogado encerrou a sustentação oral citando trecho da música "O Tempo Não Para", de Cazuza, para criticar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. “Senhor procurador-geral, a tua piscina está cheia de ratos, as tuas ideias não correspondem aos fatos", citou o defensor.

Haverá ainda as defesas de outros ex-deputados federais petistas como Luiz Carlos da Silva, o Professor Luizinho (SP). Ele é acusado pelo Ministério Público de ter recebido R$ 20 mil do esquema montado pelo publicitário Marcos Valério para votar favoravelmente ao governo. Sua defesa sustenta que o dinheiro foi sacado por um ex-assessor sem o seu conhecimento, e que o valor foi repassado ao PT. Outro petista, o ex-deputado João Magno (MG), teria recebido R$ 360 mil do esquema. Segundo seu advogado, o dinheiro era para pagar dívidas de campanha.

O último réu a apresentar defesa será o ex-ministro dos Transportes, Anderson Adauto (agora no PMDB), atual prefeito de Uberaba (MG). Segundo a acusação, ele recebeu R$ 950 mil e ajudou a montar o esquema de compra de apoio político no PTB. O ex-ministro nega participação no esquema e afirma que o valor foi usado para pagar dívidas de campanha. Todos os réus que serão ouvidos nesta terça-feira são acusados de lavagem de dinheiro. Anderson Adauto também responde por corrupção ativa.

Após as defesas desta terça-feira restarão apenas as sustentações de advogados de três réus, que serão ouvidos na quarta-feira: José Luiz Alves, ex-chefe de gabinete de Anderson Adauto no ministério e os publicitários Duda Mendonça e Zilmar Fernandes. Em seguida, os ministros devem começar a leitura dos votos. O primeiro será o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa. Com mil páginas, a leitura do voto pode durar até quatro dias.

O mensalão

O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.

Trinta e oito nomes são réus do processo do mensalão. Os ministros do STF se esforçam para que o caso seja julgado por todos, uma vez que em setembro o ministro Cezar Peluso completa 70 anos e se aposenta da magistratura.

Com informações da Agência Estado e Agência Brasil


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