Barbosa destacou que três ex-ministros são réus, José Dirceu, Luiz Gushiken e Anderson Adauto, mas destacou que eles eram apenas auxiliares do ex-presidente. "Ele (Lula) não só sabia como ordenou o desencadeamento de tudo isso que essa ação penal discute aqui. Ele ordenou. Aqueles ministros eram só auxiliares".
Ele citou a exposição de Roberto Gurgel, Procurador-Geral da República, de que o esquema acontecia no Palácio do Planalto. Para o advogado, dizer que Lula não sabia é uma ofensa ao ex-presidente. "Claro que sua excelência (Gurgel) não pode afirmar que o presidente da República fosse um pateta, um deficiente, que sob suas barbas estivesse acontecendo tenebrosas transações e ele não soubesse nada".
Barbosa destacou que Jefferson contou a Lula sobre o esquema e disse que este não tomou nenhuma medida para investigá-lo. Destacou que uma certidão emitida pela então chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, atual presidente, dava conta que nenhum procedimento foi aberto a mando de Lula.
O advogado afirmou que as provas apresentadas pela PGR são fracas porque o "mandante" ficou de fora e previu um "festival de absolvições". Destacou que Lula responde a uma ação civil pública relativa a uma suposta ação em favor do BMG para a concessão de crédito consignado a aposentados e pensionistas. O BMG é um dos bancos que fez os empréstimos que serviram para o pagamento a parlamentares.
O defensor de Jefferson pediu que a ação penal do mensalão seja convertida em diligência para se investigar Lula ou que se abra outro processo contra o ex-presidente. "Não é possível que um escândalo dessa dimensão passe lotado por essa Suprema Corte. Normas há e essa decisão se pede"
Dívidas de campanha
A defesa do ex-deputado federal Carlos Rodrigues afirmou que os recursos recebidos por ele por meio do valerioduto foram usados para pagar dívidas de campanha referentes ao apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. Integrante do PL (atual PR), ele recebeu R$ 150 mil do esquema em dezembro de 2003 tendo usado como intermediário um motorista de outro parlamentar.
"O valor foi exclusivamente para dívidas de campanha contraídas no segundo turno das eleições presidenciais de 2002", afirmou o advogado Bruno Alves Pereira de Mascarenhas Braga. Ele destacou que Rodrigues tinha apoiado Anthony Garotinho e somente no segundo turno engajou-se na campanha de Lula.
Braga disse que o ex-deputado não recebeu nenhum material do PT para auxiliar na campanha, então fez contratações por conta própria após falar com o então presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, que prometeu que as dívidas seriam saldadas depois da eleição. "Carlos Rodrigues mobilizou os 92 presidentes do PL no Rio de Janeiro solicitando que apoiassem a campanha de Lula, tendo efetuado jornais, folhetos, santinhos, alugado carros de som e feito eventos", disse o defensor.
A defesa recorreu a depoimentos de líderes comunitários dizendo ter demorado mais de um ano para receber dinheiro relativo à campanha de 2002. Disse ainda que os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro porque os contratados tinham origem humilde e não teriam conta bancária. "Esses cabos eleitorais eram pessoas humildes, não tinham nem conta, não tinha como pagar com transferência bancária ou cartão, por isso pagou em espécie, em dinheiro."
O advogado afirmou ainda que não há registro de nenhuma votação importante na Câmara em dias próximos ao saque feito para Rodrigues. Com isso, afirma não ter qualquer relação entre o recebimento do dinheiro e o apoio ao governo. Enfatizou que o PL era o partido do vice-presidente José Alencar e, portanto, teria "compromisso político" de apoiar o governo.