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O defensor afirmou que o esquema feito para aliados de Azeredo em 1998 foi similar ao operado por Valério junto com Delúbio para o PT e partidos governistas a partir de 2003. Leonardo destacou que um dos repasses admitidos por Valério foi para o diretório do PT do Rio Grande do Sul e, inclusive, motivou abertura de processo na Justiça Eleitoral gaúcha. "O fato provado é o caixa dois de campanha eleitoral. Marcos Valério sempre disse em suas inúmeras declarações que Delúbio lhe afirmou que o PT tinha dívidas de campanha próprias e de outros partidos", disse o advogado.
Marcelo Leonardo ressaltou ainda que não poderia haver condenação de Valério por corrupção ativa porque os recursos foram para partidos e não para servidores públicos, não podendo haver agente passivo de corrupção. Disse ainda que votações no Congresso mostram não ter ocorrido influência dos repasses feitos, que seriam apenas para saldar dívidas de campanha. Em relação à formação de quadrilha, ressaltou que era sócio de alguns réus em empresas e patrão de outros. Para ele, essa associação não foi para cometer crimes e, portanto, não pode ser enquadrada como formação de quadrilha.
Nesta segunda-feira, um total de cinco defensores falarão no STF e terão até uma hora para defender seus clientes. Marcelo Leonardo subiu na tribuna após Arnaldo Malheiros Filho, que defendeu Delúbio Soares. Luiz Fernando Pacheco, defensor de José Genoino, foi o segundo a falar. Ele negou a participação do ex-presidente do PT nas finanças do partido. O advogado José Luis Oliveira Lima, que defende José Dirceu, foi o primeiro a fazer a sustentação oral, e pediu a absolvição do cliente por falta de provas. O último a se manifestar é Hermes Guerrero, advogado de Ramon Hollerbach. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem aos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. O empresário Marcos Valério e o sócio dele respondem por corrupção ativa, formação de quadrilha, peculato, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
O mensalão
O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.
Trinta e oito nomes são réus do processo do mensalão. Os ministros do STF se esforçam para que o caso seja julgado por todos, uma vez que em setembro o ministro Cezar Peluso completa 70 anos e se aposenta da magistratura.
Com informações da Agência Estado e Agência Brasil