Política

Advogado diz que sociedade com Marcos Valério não incrimina Cristiano Paz

Castellar Guimarães Filho é o primeiro defensor a falar no plenário do STF

O advogado Castellar Guimarães Filho, que representa o publicitário mineiro Cristiano Paz no julgamento do mensalão, disse na sessão desta terça-feira no Supremo Tribunal Federal (STF) que seu cliente não pode ser considerado criminoso apenas porque era sócio de Marcos Valério na empresa SMP&B Comunicação. O defensor destacou a atuação de Paz como homem de criação da empresa e afirmou que, apesar de saber dos empréstimos ao PT negociados por Valério, não participava dessa etapa. “A parte lícita era a parte desenvolvida por Cristiano. Sua atividade como publicitário o impedia de qualquer outra participação na SMP&B. Ele trabalhava na construção de marcas, na boa divulgação da marca que criava, para que clientes fossem bem atendidos”, destacou o advogado.

Assista ao julgamento ao vivo pela TV Justiça:



O publicitário é acusado de, juntamente com Valério e Ramon Hollerbach, também sócio na empresa de publicidade, ter montado a estrutura criminosa que permitia a distribuição do mensalão, o chamado núcleo operacional do esquema de corrupção denunciado em 2005. Segundo o Ministério Público, as empresas de publicidade SMP&B e DNA atuavam na obtenção de empréstimos bancários para repassar as verbas aos políticos envolvidos.

Guimarães dedicou quase metade da defesa, que durou cerca de meia hora, para citar o histórico profissional de Paz. Informou que ele está há mais de 40 anos no ramo de publicitário e recebeu vários prêmios, inclusive após o escândalo do mensalão. De acordo com o advogado, desde 2005 Paz trabalha na agência Filadélfia com seu filho, e não tem clientes públicos por opção. "Mesmo depois de toda essa exposição, sendo diariamente citado, Cristiano manteve inabalado o conceito de credibilidade que tem nos meios de comunicação”, destacou. Ele ainda esclareceu que, ao contrário do que diz a denúncia, Paz não tem qualquer relação com a empresa DNA Propaganda, da qual Valério era diretor.

O advogado também criticou o fato de a denúncia sempre tratar do núcleo publicitário de forma generalizada, sem individualizar as condutas de cada um. “Designar a participação de cada co-réu é necessário. Se a simples associação é um delito per se, na maioria deles, na produção do evento criminoso, é que determina a responsabilidade. Alguém pode pertencer ao mesmo grupo, sem concorrer ao delito”, concluiu Guimarães.

O próximo a sustentar a defesa é o advogado Paulo Sérgio Abreu e Silva, que defende Rogério Tolentino, outro sócio de Marcos Valério. Na sequência, falam os advogados de Simone Reis Lobo de Vasconcelos, ex-diretora financeira da empresa de publicidade SMPB; Geiza Dias dos Santos, ex-gerente financeira da SMPB; e Kátia Rabello, ex-presidenta do Banco Rural.

Os defensores de cada um terão até uma hora para sustentar a defesa de seus clientes. Cristiano Paz responde por corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas. O advogado Rogério Tolentino responde por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção ativa. A ex-diretora financeira da SMPB, Simone Vasconcelos, e a ex-gerente financeira da mesma empresa de publicidade, Geiza Dias dos Santos, respondem por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas e corrupção ativa. A ex-presidenta do Banco Rural, Kátia Rabello, responde por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas.

O mensalão

O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.

Trinta e oito nomes são réus do processo do mensalão. Os ministros do STF se esforçam para que o caso seja julgado por todos, uma vez que em setembro o ministro Cezar Peluso completa 70 anos e se aposenta da magistratura.

Com informações da Agência Brasil

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