Política

Advogado nega que PP recebeu recursos para votar a favor de Lula

Defensor de ex-deputado federal Pedro Corrêa defendeu o réu do mensalão no STF

Advogado Marcelo Leal de Lima Oliveira, defensor do ex-deputado federal Pedro Corrêa, durante julgamento do mensalão no STF
Advogado Marcelo Leal de Lima Oliveira, defensor do ex-deputado federal Pedro Corrêa, durante julgamento do mensalão no STF Foto : José Cruz / ABr / CP
O ex-deputado federal Pedro Corrêa (PP-PE) foi o primeiro parlamentar acusado de envolvimento com o esquema do mensalão a ter direito à defesa durante julgamento desta quinta-feira no Supremo Tribunal Federal (STF). Seu advogado, Marcelo Leal de Lima Oliveira, negou que integrantes do Partido Progressista (PP) tenham recebido recursos do PT para votar a favor de projetos do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, o repasse de verbas para o partido serviu para honrar dois compromissos políticos: dar suporte financeiro a candidaturas do PP nas eleições municipais de 2004 e pagar um advogado para o ex-deputado federal pelo partido Ronivon Santiago (AC). “Cada mandato parlamentar era muito caro para o Partido Progressista", afirmou Leal, referindo-se ao acerto de Ronivon Santiago.

O defensor disse que R$ 700 mil sacados pelo ex-assessor do PP João Cláudio Genú serviram para pagar os honorários de Paulo Goyaz, advogado de Santiago. Goyaz, segundo Marcelo Leal, passou a cuidar da defesa de Santiago em processos movidos pelo Ministério Público. Na sustentação, Leal lembrou um fato curioso: foi o próprio PT quem recorreu ao Ministério Público para questionar a conduta de Santiago que, nas eleições de 2002, havia apoiado o candidato tucano à presidência, José Serra. Mas, segundo o advogado, esse era um dos empecilhos para que o PP integrasse a base aliada do governo Lula no Congresso. O defensor disse que o outro acordo entre os dois partidos foi repassar recursos para campanhas municipais do PP no Norte do Paraná, região do ex-líder do partido José Janene (PR), já morto. O Ministério Público sustenta que esse segundo esquema teria se valido de duas corretoras, a Bônus Banval e a Natimar.

Assista ao julgamento ao vivo pela TV Justiça:



Leal pediu a absolvição do ex-presidente do PP e deputado federal Pedro Corrêa dos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. "Todas, absolutamente todas as testemunhas citadas pelo Ministério Público e arroladas pela defesa afirmaram que o dinheiro da Bônus Banval, repassados pela Natimar não foram, em absoluto, para a compra de apoio de parlamentares. Eles foram para a campanha política de 2004 em decorrência de um acordo firmado entre o Partido dos Trabalhadores e Partido Progressista", destacou o advogado, que questionou o fato de o MP não ter demonstrado durante o processo a participação de Corrêa no suposto esquema.

A defesa do ex-presidente do PP criticou ainda a Procuradoria-Geral República por ter deixado de denunciar 17 pessoas beneficiárias do esquema montado por Marcos Valério. "Eu só posso acreditar que o Ministério Público não acredita na lista de Marcos Valério", afirmou. Com base em depoimentos, o advogado de Corrêa disse que o partido, nas supostas votações da Previdência e Tributária, supostamente compradas pelo governo, "manteve fiel à sua bandeira". "O PP não precisava receber para votar de acordo com a sua convicção", disse. E mencionou o fato de que o ex-presidente da legenda nem sequer votou na reforma tributária.

O terceiro advogado a subir na tribuna para fazer a sustentação oral é o defensor do deputado Pedro Henry (PP-MT), que responde por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e formação de quadrilha. A defesa de Henry é feita pelo advogado José Antônio Duarte Álvares. A defesa de João Cláudio Genu – ex-assessor do deputado José Janene (morto em 2010) –, que responde por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e formação de quadrilha, será feita pelo advogado Maurício Maranhão de Oliveira. Já Enivaldo Quadrado, dono da corretora Bonus-Banval, acusado de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, será defendido pela advogada Priscila Gioia.

O mensalão


O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.

Trinta e oito nomes são réus do processo do mensalão. Os ministros do STF se esforçam para que o caso seja julgado por todos, uma vez que em setembro o ministro Cezar Peluso completa 70 anos e se aposenta da magistratura.

Com informações da Agência Estado e Agência Brasil

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