Política

Aécio: Eduardo Leite 'refém' no PSD perde chance à Presidência

Presidente do PSDB critica situação do governador gaúcho no novo partido e a dificuldade dele ser candidato ao Planalto

Presidente do PSDB concedeu entrevista ao Correio do Povo nesta quinta-feira
Presidente do PSDB concedeu entrevista ao Correio do Povo nesta quinta-feira Foto : Pedro Piegas

No Rio Grande do Sul para dar início a uma série de reuniões na tentativa de alavancar o PSDB, o deputado Aécio Neves, que agora preside o partido, lamentou a decisão do governador Eduardo Leite (PSD) de deixar a sigla.

“O Eduardo (Leite) poderia ser uma alternativa presidencial, pelo PSDB, no centro, sem depender da boa vontade de A ou de B, sem ser refém da vontade de um líder político. Porque aqui ele era um líder”, afirmou Aécio em entrevista ao Correio do Povo, nesta quinta-feira.

Leite migrou para o PSD de Gilberto Kassab em maio de 2025, após flertes com o partido em 2022. Na ocasião, o governador ensaiava uma candidatura à presidência, mas acabou perdendo o posto de candidato para o ex-governador de São Paulo, João Doria, após a realização de prévias que acentuaram ainda mais o clima de discórdia no ninho tucano. Posteriormente, Doria viria a desistir da disputa.

Ainda assim, Leite resignou-se com o resultado e concorreu, então, à reeleição no Estado. Mas as investidas de Kassab e o sonho de concorrer ao Planalto seguiram, levando o governador a trocar de partido e, consigo, levou boa parte dos tucanos com mandato no Rio Grande do Sul.

Em setembro de 2025, 29 dos 31 prefeitos eleitos pelo PSDB deixaram a sigla em direção ao PSD. O partido, que já vinha sofrendo com perdas, minguou no RS e se vê prestes a perder boa parte da bancada estadual, hoje com cinco deputados. Este foi um dos motivos, inclusive, pelos quais Aécio iniciou sua jornada de reuniões em solo gaúcho.

Mas, apesar da migração partidária, Leite não tem o caminho livre para disputar a presidência. Kassab deixou claro que, caso Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, não fosse candidato ao Planalto, o primeiro nome do partido seria Ratinho Jr., governador do Paraná.

Soma-se aos possíveis entraves a entrada no partido do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O goiano demonstrou diversas vezes a intenção de concorrer ao Planalto, tendo buscado apoio, sem sucesso, do campo bolsonarista, enquanto ainda estava no União Brasil. Kassab afirmou que escolherá entre os três nomes até o dia 15 de abril.