Política

Alexandre de Moraes ensaia sabatina na CCJ com base aliada do Senado

Indicado por Temer ao STF preparou argumentos sobre atuação política, filiação ao PSDB e defesa de Cunha

Indicado por Temer ao STF preparou argumentos sobre atuação política, filiação ao PSDB e defesa de Cunha
Indicado por Temer ao STF preparou argumentos sobre atuação política, filiação ao PSDB e defesa de Cunha Foto : Marcelo Camargo / Agência Brasil / CP
Licenciado do Ministério da Justiça, Alexandre de Moraes apresentou a lideranças da base aliada do Senado o plano de ação que pretende adotar para responder às questões controversas, que deve enfrentar durante sabatina prevista para ser feita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A audiência com os integrantes do colegiado é uma das etapas pelas quais Moraes deverá passar para assegurar sua indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF).

No encontro com integrantes da bancada do PSDB, apresentou um levantamento que aponta que ao menos 30% dos indicados para a Suprema Corte, nos últimos 20 anos, têm um histórico de atuação partidária e/ou no governo da ocasião.  Os dados, segundo relatos, servirão de base para o ministro se defender de possíveis ataques da oposição que o acusa de, uma vez no STF, ficar à serviço do PSDB e do presidente Michel Temer, responsável por sua indicação.

Na saída do gabinete, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), também minimizou o fato de Moraes, antes de ser indicado para o STF, ocupar o Ministério da Justiça, subordinado a Temer. Ao falar do tema, o tucano mencionou o histórico do ministro Celso de Mello, decano da Corte. “Ele assessorou diretamente o presidente José Sarney até o momento de sua indicação. Isso faz dele um ministro menor? Pelo contrário. Servir ao governo é participar da vida democrática. Isso deve ser louvado. Não podemos cair na cantilena oposicionista, que desconsidera o passado de indicações do próprio PT para fazer esse tipo de acusações.”

Moraes também já tem se preparado para outro ponto polêmico: o fato de ter sido advogado de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato, em uma ação em que o deputado cassado era acusado de usar documento falso. Ele foi absolvido. Entre os argumentos ensaiados está o de que, como advogado, Moraes exercia o direito constitucional de defesa. Antes do encontro com os tucanos, Moraes também foi pedir apoio para o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e para o líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL).