Política

Ao vivo: STF julgará Dirceu próximo ao 1º turno das eleições

Ministro relata quatro formas de corrupção de Valdemar Costa Neto

Ministro relata quatro formas de corrupção de Valdemar Costa Neto
Ministro relata quatro formas de corrupção de Valdemar Costa Neto Foto : Nelson Jr. / SCO / STF / CP
O relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, disse aos colegas que, após um acordo com o revisor, ministro Ricardo Lewandowski, vai deixar para depois a análise da acusação de corrupção ativa contra o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares.

Acompanhe o julgamento:



Barbosa disse que só votará nesta parte após a Corte decidir a situação dos parlamentares dos outros partidos, acusados de vender os votos no Congresso.A mudança fará com que somente no final da próxima semana a conduta de Dirceu seja analisada. Com isso, a tendência é que a primeira decisão sobre a condenação ou não do principal líder petista acusado no processo aconteça na primeira semana de outubro, às vésperas do primeiro turno da eleição municipal.

O ministro Marco Aurélio Mello saudou a decisão de Barbosa e Lewandowski. Os ministros argumentam que essa fase envolve muitos réus e por isso o novo fatiamento facilitaria o prosseguimento do julgamento.

Ministro relata quatro formas de corrupção de Costa Neto

Barbosa afirmou ainda que o ex-presidente do PL e deputado federal Valdemar Costa Neto (SP) se valia de quatro formas para lavar os recursos recebidos do esquema. Segundo o relator, ficou comprovado o repasse criminoso de R$ 8,8 milhões dos R$ 10,8 milhões que a Procuradoria Geral da República disse que o ex-presidente do PL, atual PR, recebeu do valerioduto. 

O relator citou cada uma das maneiras de repasse de recursos do esquema montado pelo publicitário Marcos Valério, a pedido do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, para Valdemar. Em um deles, foram entregues a ele R$ 6 milhões por meio de uma corretora, a Garanhuns. Em outra modalidade, o ex-tesoureiro do partido Jacinto Lamas entregou R$ 1 milhão ao político. No terceiro formato, foi o irmão de Jacinto, Antonio Lamas, quem deu a Valdemar R$ 350 mil. Na última forma, o próprio parlamentar recebeu pessoalmente R$ 1,5 milhão.

O ministro disse que o ex-vice-presidente do extinto PL Carlos Rodrigues (RJ) também usou um esquema de lavagem de dinheiro para receber R$ 150 mil do valerioduto. No dia 17 de dezembro de 2003, disse o relator, o ex-parlamentar enviou o motorista do partido, Célio Marques, para pegar a verba na agência do Banco Rural em Brasília. A verba, afirmou Barbosa, foi entregue ao ex-deputado pessoalmente.

O relator rebateu a versão apresentada pela defesa dos dois políticos de que os recursos serviram para saldar débitos eleitorais. "Se os réus pretendessem apenas pagar as dívidas de campanha, por que recebiam recursos de forma tão sofisticada?", questionou. No caso de Valdemar, o ministro também desconsiderou a versão apresentada pelo parlamentar, durante a instrução do processo, de que tomou um empréstimo pessoal de R$ 5 milhões para quitar as dívidas do partido. Barbosa disse que, se o dinheiro era para pagar despesas do PL, porque assumiu a dívida pessoalmente.

Barbosa disse que o repasse dos recursos é uma "grave interferência no exercício na função parlamentar". E que é "inegável" que os pagamentos serviram para Valdemar orientar a bancada do partido para votar a favor dos interesses do governo. O deputado era, além de presidente do partido, líder da bancada da Câmara dos Deputados.


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