Política

Após julgamento de Lula, Anfiteatro Pôr do Sul esvazia

Decisão unânime do TRF4 e chuva dispersou a mobilização

O primeiro voto a favor da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o estopim para que a mobilização começasse a se desmanchar no Anfiteatro Pôr do Sol. Desde o início da tarde desta quarta-feira, o acampamento dos movimentos sociais, organizado no Anfiteatro Pôr do Sol, na região Central de Porto Alegre, começou a ser desmontado.

Manifestantes de todas as regiões do Brasil colocavam suas mochilas nas costas e levavam seus pertences até os ônibus, que saíam a todo momento com destinos variados. Mesmo assim, ocorreu uma vigília “em defesa da democracia e pelo direito de Lula ser candidato” no local.

Apesar do desmonte, a Frente Brasil Popular deve se organizar nesta quinta-feira para definir a agenda de mobilizações pró-Lula em todo o País. Com sol forte e altas temperaturas, os manifestantes buscavam as sombras das árvores para se proteger do calor. O forte esquema de segurança montado ao redor do acampamento surpreendeu muitos manifestantes.
“Nunca vi tanto policial militar no mesmo lugar, estou impressionado”, contou Gabriel Silveira, 32 anos, de Foz do Iguaçu, no Paraná.

Conforme a Brigada Militar (BM), cerca de 2,2 mil policiais militares foram mobilizados para os bloqueios que ocorreram no entorno do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e do Anfiteatro Pôr do Sol. Por volta das 15h, quando o julgamento foi retomado após um intervalo e apenas um dos desembargadores havia votado, a tensão tomou conta daqueles que permaneciam na Capital. A dona de casa Catarina Kovalick, 57 anos, contou que o pai dela faleceu antes de conseguir se aposentar e este é uma das razões que a faz protestar. “Enquanto estiver viva vou lutar pelos direitos dos trabalhadores. Precisamos de uma democracia real neste País”, ressaltou.

Aos 81 anos, a ex-deputada Esther Grossi, figura histórica do Partido dos Trabalhadores (PT), participou da vigília. Segundo ela, é preciso modificar a estrutura democrática do Brasil. “Do jeito que está, não dá mais. Precisamos de mudanças. Não é porque estou mais velha que preciso viver de passado. Estou pensando no futuro que quero para meus filhos e meus netos, então preciso estar aqui, na luta”, afirmou.

Por volta das 16h40min, o segundo voto a favor da condenação de Lula desmotivou ainda mais os manifestantes. Enquanto alguns choravam, outros sorriam e permaneciam esperançosos. A gota d’água para a mobilização foi a decisão unânime no TRF4, e, praticamente ao mesmo tempo, chegou a chuva. Os três votos a favor da condenação e a majoração da pena para 12 anos e 1 mês não desanimou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo. “Ninguém pode ser condenado sem prova. O dia 24 foi só um parágrafo, vai continuar toda a luta jurídica, política e de classe nas ruas do Brasil. Enquanto este tema não estiver resolvido, estaremos na luta”, disse.

Conforme Nespolo, não existe prova material no caso do triplex, pois não houve crime. “Na dúvida, a Justiça brasileira é pró-réu. Sempre foi assim, agora querem perseguir o Lula e evitar que ele seja eleito e coloque os pobres no orçamento”, ainda enfatizou que o que ocorre é uma luta de classes: “são ricos contra pobres”.