Política

Apesar da base aliada descontente, Senado mantém votações

Casa deve aprovar proposta de emenda constitucional que desagrada o Planalto, no entanto

Enquanto os líderes da base aliada comandam a obstrução na Câmara, paralisando as votações, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), consegue manter um clima de aparente normalidade na Casa. Os senadores devem aprovar, nesta quarta-feira, a Medida Provisória 529, que reduz a alíquota de contribuição ao INSS do microempreendedor individual. Em contrapartida, também devem aprovar a proposta de emenda constitucional (PEC) que modifica o rito das medidas provisórias, cujo texto final contraria o Planalto.

"O clima é de preocupação, a base tem de estar unida. A união é fundamental, a relação política tem de ser trabalhada", justificou Jucá. Ele admitiu que a maior apreensão é com o PR, que se desligou do bloco de apoio ao governo no Senado e prometeu assumir uma postura independente na Casa após a crise no Ministério dos Transp.

A MP 529 será aprovada por seu amplo alcance social, já que reduz de 11% para 5% a contribuição dos microempreendedores à Previdência Social, além de trazer benefícios às pessoas com deficiência. Em contrapartida, a aprovação da chamada "PEC das MPs" trará desconforto ao Planalto, já que permite que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) rejeite uma medida provisória caso os parlamentares considerem ausentes os requisitos de admissibilidade da proposta.

Nesta hipótese, entretanto, o líder governista pode recorrer ao plenário. O texto resguarda o Planalto, mas dificulta a tramitação das MPs.


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