Política

Aprovado projeto que torna corrupção crime hediondo

Matéria seguirá para votação na Câmara dos Deputados

Aprovado projeto que torna corrupção crime hediondo
Aprovado projeto que torna corrupção crime hediondo Foto : Marcos Oliveira / Agência Senado / CP
O Senado aprovou, em uma votação simbólica, o projeto que torna corrupção ativa e passiva crimes hediondos. O texto também prevê o aumento das penas mínimas previstas dos referidos crimes, passando a ser de quatro anos de reclusão e tornam-se inafiançáveis. A matéria segue agora para apreciação da Câmara dos Deputados.

Apresentada pelo senador Pedro Taques (PDT-MT) há mais de três anos, em 28 de abril de 2011, a proposta foi à votação em meio à “agenda positiva” no Congresso, motivada pelos constantes protestos nas ruas das cidades do país. Ontem, a Câmara dos Deputados rejeitou a PEC 37, uma das principais reivindicações das manifestações.

O autor do projeto, senador Pedro Taques (PDT-MT), justifica que esses crimes são delitos graves praticados contra a administração pública que “violam direitos difusos e coletivos e atingem grandes extratos da população”. “É sabido que, com o desvio de dinheiro público, com a corrupção e suas formas afins de delitos, faltam verbas para a saúde, para a educação, para os presídios, para a sinalização e construção de estradas, para equipar e preparar a polícia, além de outras políticas públicas”, diz o autor do projeto.

O texto original de Taques, contudo, previa a qualificação como hediondo apenas para os crimes de corrupção ativa e passiva e de concussão (obter vantagem indevida em razão da função exercida). O relator do projeto, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), incluiu em seu parecer também os crimes de peculato (funcionário público que se apropria de dinheiro ou bens públicos ou particulares em razão do cargo) e excesso de exação (funcionário público que cobra indevidamente impostos ou serviços oferecidos gratuitamente pelo Estado).

STF manda prender deputado 

A aprovação coincidiu com o dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a prisão imediata do deputado federal Natan Donadon (PMDB-RO) pelos crimes de peculato e formação de quadrilha por desviar mais de R$ 8 milhões da Assembleia Legislativa de Rondônia entre 1995 e 1998, quando era diretor financeiro do órgão. Ele também terá que devolver R$ 1,6 milhão aos cofres públicos.

É a primeira vez, desde a promulgação da Constituição de 1988, que um deputado terá que cumprir pena durante o mandato, por determinação do STF.


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