Política

Articulação paralela gera discórdia em frente de esquerda no RS

PSol reclama publicamente da forma como PT conduz processo para coalizão que tem por objetivo as eleições de 2026

Negociações feitas à margem de comandos e bases partidárias incomodam aliados
Negociações feitas à margem de comandos e bases partidárias incomodam aliados Foto : Divulgação/CP

As articulações que começaram como movimentos para fortalecer a formação de uma frente de centro-esquerda nas eleições majoritárias de 2026 no RS ganharam potencial para se transformarem em dor de cabeça ao PT gaúcho.

O tensionamento já havia ficado evidente há nove dias, no ato de posse da nova executiva estadual do PT. Sob diferentes justificativas, de viagens a disputas dentro do movimento sindical, nenhuma liderança representou o PSol no evento. O partido é tido desde 2022 como aliado prioritário pelos petistas, mas a relação passa por um estremecimento.

No fim da tarde de sexta-feira o mal-estar se tornou público. Foi quando o vereador Roberto Robaina, presidente do PSol em Porto Alegre, foi às redes externar o descontentamento do partido com os movimentos feitos pelo ex-governador Tarso Genro e seu Instituto Novos Paradigmas (INP). Tarso tem capitaneado encontros para os quais convida um número reduzido de petistas e nomes escolhidos no PDT, no PSB, no PSol ou mesmo sem partido, para dar prosseguimento à formação da frente, à revelia tanto das direções como das bases partidárias.

A manifestação de Robaina aconteceu um dia após o último encontro do INP, na quinta à noite. Entre os presentes estavam o deputado federal Paulo Pimenta (PT), a ex-deputada Manuela D’Ávila (sem partido), a ex-deputada Juliana Brizola (PDT), o presidente da Conab, Edegar Pretto (PT), e o ex-deputado Beto Albuquerque (PSB). O deputado Matheus Gomes (PSol) foi, mas como convidado individual, e não representando o partido. A direção do PSol não foi chamada. Nem a do PT.

“O Tarso fez várias reuniões já. Só que agora convidou o Pimenta, então buscou dar um caráter oficial”, disse Robaina ao Correio do Povo, em alusão aos comentários constantes, nos bastidores das legendas, de que o deputado “dá as cartas” no PT gaúcho. A fala de Robaina acabou por dar voz a um desconforto que também ocorre no PT. O assunto da sexta, entre gabinetes na Assembleia Legislativa, era que o novo presidente e a vice, os deputados estaduais Valdeci Oliveira e Sofia Cavedon, também não haviam recebido convites.

“Tem que fazer debate, não reuniões fechadas a quatro chaves. O PT tem que se movimentar como partido. O Matheus (Gomes) já disse que ele (Tarso) deveria convidar a direção, não indivíduos. Se quiser encabeçar um processo de unidade, o PT tem que fazer as coisas organicamente. Há um mal-estar porque o PT não pode discutir uma aliança sem as direções dos partidos, usando institutos privados para fazer reuniões e tirar fotos. Isto é divisionista e não vai dar certo”, emendou Robaina.

Sobre Tarso, o vereador postou nas redes e repetiu ao CP que o ex-governador deveria se lançar novamente ao Piratini, com Juliana de vice. “O próprio Tarso, se quer trabalhar nesta articulação, deveria colocar o seu nome (como opção ao governo). Para ter uma frente que ganhe, precisa ter nome forte”, disparou.

O pré-candidato do PT ao governo no momento é Edegar Pretto.