Assembleia Legislativa propõe diálogo com o governo do RS para discutir leilão dos pedágios

Assembleia Legislativa propõe diálogo com o governo do RS para discutir leilão dos pedágios

Resultado do leilão do bloco 3 foi duramente criticado em reunião na presidência da Assembleia Legislativa

Correio do Povo

Reunião aconteceu nesta terça-feira, na presidência da Assembleia Legislativa

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O resultado do leilão do bloco 3, que concede à iniciativa privada a exploração por 30 anos de 271,5 km de estradas gaúchas, da Serra ao Vale do Caí, foi duramente criticado por prefeitos, vereadores, representantes do empresariado, líderes de bancadas e deputados presentes na reunião desta terça-feira, na presidência da Assembleia Legislativa.

No encontro, organizado pelo presidente do parlamento gaúcho, deputado Valdeci Oliveira (PT), as principais críticas foram ao valor das tarifas, à falta de concorrência na disputa e à inexistência de diálogo por parte do executivo gaúcho.

Após ouvir os participantes, cuja opinião unânime foi a de que há necessidade de o governo reconsiderar o modelo apresentado e não homologar o resultado do certame, Valdeci propôs ponderar junto ao governador Ranolfo Vieira Júnior, com quem tem uma reunião agendada para a tarde de quarta-feira, para que receba uma comitiva representativa e ouça as demandas das regiões que serão afetadas.

"Vamos buscar para que o governo os receba o mais breve possível. O que vai acontecer daqui para lá é o diálogo que estamos tentando fazer, essa ponte entre a sociedade e o executivo. O governo, por mais divergência que tenha, precisa ouvir a população. Democracia pressupõe pensar diferente, mas também ouvir para poder dialogar", defendeu Valdeci.

Questionado se acreditava haver maioria na Assembleia com a opinião para que a homologação do leilão não seja efetivada, o presidente do Legislativo gaúcho afirmou ser prematuro assegurar isso. "Pelo menos dos líderes, dos deputados e deputadas que estavam aqui presentes, vimos que há uma vontade para que o governo, antes de assinar e referendar o leilão, ouça as comunidades. Acho que isso é mais importante", avaliou. "Enquanto presidente, vou manter uma postura respeitosa e republicana, mas ponderarei, até o extremo, que o governo os receba", assegurou.

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"Vamos torcer para que o governo tenha sensibilidade e ouça o parlamento gaúcho. Antes as reuniões eram feitas por nós, lideranças locais, com o governador (Eduardo Leite), com a Casa Civil e, embora se ponderasse, o governo não nos ouvia. Agora é o Parlamento, que aprovou muitas reformas do governo Leite/Ranolfo, que está mostrando que está ao lado da sociedade. O que o governo precisa fazer é reconhecer que houve um ato nefasto para a economia do RS e não homologue o edital", afirmou o prefeito de São Sebastião do Cai, Júlio César Campani.

De acordo com o representante da Associação das Entidades Representativas da Classe Empresarial da Serra Gaúcha (CICS Serra), Elton Gialdo, que reúne 17 municípios, o modelo do leilão não foi o mais adequado e a prova foi o seu resultado. "Foi um fracasso. Ficou 60% acima de outras regiões", afirmou.

"Em Lajeado, as lideranças emitiram uma carta, também com posição ao Bloco 2 e em solidariedade às localidades (do Bloco 3)", explicou o líder da bancada do PT, Pepe Vargas. "As contrapartidas exigidas e a conjuntura (econômica) não atraíram outros (consórcios). Não é o momento de homologar", defendeu Tiago Simon (MDB). Também participaram da reunião representantes de Portão, Bom Princípio, Feliz, Montenegro e Capela de Santana.


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