Política

Autor de atentado tinha materiais para simular granadas e lança-chamas, diz diretor da PF

Andrei Augusto Passos explicou que Francisco Wanderley Luiz estava há meses em Brasília

Francisco Wanderley Luiz estava há meses em Brasília
Francisco Wanderley Luiz estava há meses em Brasília Foto : Evaristo Sa / AFP / CP

O diretor da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos, concedeu no final da manhã desta quinta-feira uma entrevista coletiva para detalhar a investigação inicial do atentado ocorrido na Praça dos Três Poderes, em Brasília. O autor do ataque, identificado como Francisco Wanderley Luiz, morreu durante a ocorrência.

"A nossa investigação inicial aponta para o uso de artefato de fragmentação, que simula uma granada. Além disso, encontramos com o autor um extintor de incêndio alterado, que seria usado para simular um lança-chamas. Notamos que o material usado foi feito de maneira artesanal, mas segundo os nossos investigadores, esses dispositivos poderiam gerar um alto grau de lesividade”, explicou Passos.

O diretor da PF relatou que Luiz estava em Brasília há cerca de três ou quatro meses. O homem atuava como chaveiro e teria feito uma preparação antes do ataque. “Há indícios de um planejamento de longo prazo, principalmente segundo o relato que temos de familiares. Ele esteve em Brasília em 2023. Não sabemos, porém, se ele participou dos atos de 8 de janeiro”, comentou.

Andrei Passos disse que os investigadores ainda vão estudar o processo produtivo do atentado, até para entender a origem de tudo. A tese do “lobo solitário” segue como principal linha de apuração da Polícia Federal. O diretor explicou que Wanderley Luiz teria estabelecido contato com uma pessoa que participou dos atos de 8 de janeiro.

Diferentes equipes da Polícia Federal foram acionadas para realizar averiguações a respeito do atentado. Uma das equipes esteve em Ceilândia, onde Wanderley Luiz alugou uma casa. Um trailer que teria sido usado por ele também foi periciado e a última descoberta foi de uma caixa, que passa por análise, uma vez que pode ter relação com o ataque da noite dessa quarta-feira.

Grupos ativos

Andrei Passos destacou que a ação de Wanderley Luiz não é algo isolado. Um declaração semelhante foi dada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. "Grupos extremistas estão ativos e é preciso que atuemos de maneira enérgica, não só PF, mas todo o sistema de justiça criminal. Episódio de ontem não é fato isolado, mas conectado com diversas ações que a PF tem investigado", disse.

Veja Também

| Foto: Arte / Leandro Maciel / CP