A posse ocorreu após ele ler o termo de compromisso de bem e fielmente cumprir os deveres do cargo, em conformidade com a Constituição Federal e as leis da República. Em seguida, já no exercício do cargo, o ministro empossou Joaquim Barbosa no cargo de vice-presidente do Tribunal, também depois de prestar juramento. O cargo de vice-presidente foi ocupado por Ayres Britto nos últimos dois anos. Sobre a posse no comando do Judiciário brasileiro, Ayres Britto disse que é uma oportunidade de servir ao país em duas instâncias importantes, já que, além do STF, presidirá o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Em seu discurso de posse, Britto enalteceu a Constituição Federal, a qual considera a "menina dos olhos da democracia". "A Constituição conferiu ao magistrado o dever de guardá-la sobre pau e pedra, o que faz do compromisso de posse uma jura de amor", disse. E anunciou que, como presente de posse, vai distribuir, aos ministros e convidados, uma versão atualizada da Constituição Federal.
Além dos julgamento do processo do mensalão, o novo presidente do STF tem como desafios o julgamento dos planos econômicos e das cotas para negros em universidades públicas. Seu mandato primará pelo diálogo aberto com juízes, representantes do Legislativo, do Executivo e de entidades diversas e com seus próprios colegas de Tribunal para articular assuntos de interesse do Judiciário.
Britto é o décimo terceiro presidente do STF e o quinto sergipano a ocupar uma cadeira na Suprema Corte. Em sua trajetória jurídica, ocupou, em Sergipe, os cargos de consultor-geral do Estado, procurador-geral e procurador-geral do Tribunal de Contas. Ingressou no STF em junho de 2003. Comandou as eleições municipais de 2008 como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2010, assumiu a vice-presidência da Corte Eleitoral.
A cerimônia de posse no Supremo contou com a presença da presidenta da República, Dilma Rousseff. O discurso de despedida do agora ex-presidente do STF, Cezar Peluso, estava previsto durante a posse, mas ele não se pronunciou. Quem leu a biografia de Britto foi o ministro Celso de Mello, que citou alguns julgamentos importantes dos quais Ayres Britto foi o relator. Entre eles, o que liberou o uso de células-tronco embrionárias para pesquisas científicas, o que autorizou a união civil homossexual e o que discutiu a demarcação de terras indígenas da Reserva Raposa Serra do Sol.
O ministro Joaquim Barbosa assumiu a vice-presidência do STF. Mineiro de Paracatu, Barbosa foi membro do Ministério Público Federal, chefe da Consultoria Jurídica do Ministério da Saúde e oficial de chancelaria do Ministério das Relações Exteriores. Tornou-se ministro do Supremo em 2003, onde participou de julgamentos polêmicos como o caso do ativista político italiano Cesare Battisti e sobre o uso de células-tronco embrionárias para pesquisas científicas. Atualmente, é o relator do caso mensalão.
Mensalão foi o nome pelo qual ficou conhecido o esquema de pagamento de propina a parlamentares em troca de apoio ao governo, revelado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ). O mensalão começou a tramitar como inquérito no STF em 2005. Dois anos depois, o Tribunal aceitou as denúncias do Ministério Público, e o processo se transformou em uma ação penal. Desde então, o relator, ministro Joaquim Barbosa, vinha reunindo informações sobre o caso, fase que chegou ao fim em setembro passado. Em dezembro, Barbosa entregou seu relatório para análise do ministro-revisor, Ricardo Lewandowski.