Política

Barbosa lamenta decisão "absurda" no caso Donadon

Presidente do STF reforçou que deputado perdeu direitos políticos ao ser condenado

Presidente do STF reforçou que deputado perdeu direitos políticos ao ser condenado
Presidente do STF reforçou que deputado perdeu direitos políticos ao ser condenado Foto : Nelson Jr./SCO/STF/Divulgação CP
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, lamentou a “incongruência constitucional” gerada pela decisão da Câmara dos Deputados de rejeitar a cassação do deputado Natan Donadon (sem partido-RO). Ele foi condenado pelo STF a 13 anos de prisão por peculato e formação de quadrilha, mas absolvido da cassação no plenário. Barbosa considera a situação "absurda".

“Quando julgamos, no ano passado e neste ano, decidimos pela perda do mandato. Eu disse, muito claramente, que seria uma incongruência constitucional muito grande manter no Congresso Nacional um parlamentar condenado criminalmente ou eventualmente um parlamentar a cumprir pena”, ressaltou Barbosa. “Eu chamei a atenção para a improvável e impossível conciliação do mandato com essa condição de presidiário. Lamento muito que estejamos hoje diante desse impasse constitucional absurdo, mas o Congresso Nacional é soberano, ele tomou a sua decisão, ele terá que conviver e lidar com as consequências desse ato”, acrescentou o presidente do STF.

Barbosa lembrou que a Constituição Federal prevê que os condenados percam os direitos políticos. “Além do voto aberto para o Congresso Nacional, outra proposta, a meu ver, que viria ao encontro do que uma maioria do STF disse no ano passado, seria o condenado criminalmente, sem nenhuma possibilidade de recurso, transitada em julgado a decisão, automaticamente perder o mandato", argumentou o ministro. 

"A Constituição diz isso no Artigo 15: o condenado por pena criminal tem os seus direitos políticos suspensos. Ora, a posse dos direitos políticos é um requisito indispensável para o exercício da representação do mandado eletivo", reforçou Barbosa. "O sujeito não pode nem se candidatar, muito menos conciliar essa condição de parlamentar com a de presidiário”, resumiu.


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