Política

Bolsonaro se desculpa com Moraes por alegações de fraude nas urnas: 'Desabafo'

De acordo com o ex-presidente, as acusações tratavam apenas de uma “retórica”; “me desculpe, não tinha intenção”, pacificou Bolsonaro

Ex-presidente admite que "não tinha provas de nada"
Ex-presidente admite que "não tinha provas de nada" Foto : Fellipe Sampaio/STF/CP

O interrogatório do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é o mais aguardado na ação da trama golpista. Bolsonaro foi denunciado como líder do plano de golpe. Nesta terça-feira, ele está frente a frente com o ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) para responder às perguntas sobre o processo.

O primeiro questionamento foi sobre as urnas eletrônicas. Moraes quis saber “qual era concretamente o fundamento” do ex-presidente para alegar que havia fraudes nas eleições e nas urnas e que os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estavam direcionando as eleições.

Bolsonaro afirmou que essa sempre foi sua "retórica” e que defende o voto impresso desde que foi deputado federal. “A questão da desconfiança, suspeição ou crítica às urnas não é algo privativo meu.”

Ao abordar a reunião ministerial de 5 de julho de 2022, em que questionou a segurança do sistema de votação e cobrou ministros a agirem antes das eleições, o ex-presidente afirmou que foi um “desabafo”. “Não tinha prova de nada no tocante a isso daí. Um desabafo meu, com toda certeza”, justificou.

“A minha retórica me levou a falar dessa maneira. Essa reunião não era para ter sido gravada. Era algo reservado. Alguém gravou, no meu entender, de má-fé. Essa foi a minha retórica que usei muito enquanto deputado e depois como presidente buscando o voto impresso.”

Veja Também

Pedido de desculpas

Em sua primeira resposta, o ex-presidente pediu desculpas aos ministros Moraes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso, atual presidente do STF, por acusá-los de terem recebido entre US$ 30 e US$ 50 milhões para fraudar as eleições. Bolsonaro fez as declarações na reunião ministerial do dia 5 de julho de 2022.

Ao explicar as suas falas, o ex-presidente minimizou o episódio. “Era uma retórica. Se fossem outros três ocupantes (do Tribunal Superior Eleitoral), eu teria a mesma conduta. Me desculpe. Não tinha intenção”, explicou. Em outro momento, Bolsonaro disse que, para ele, era “bastante desagradável” estar frente a frente com Moraes.

Live sobre as urnas

Questionado sobre a transmissão ao vivo feita no dia 29 de julho de 2021, no Palácio da Alvorada, que, segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), marca o início da trama golpista, Bolsonaro insistiu na narrativa de fraude.

“Acredito que, dado o que vinha acontecendo, de reclamações por ocasião das eleições, para o bem da democracia seria bom que algo fosse aperfeiçoado para que não pudesse haver qualquer dúvida sobre o sistema eletrônico. Se não houvesse essa dúvida, com toda certeza nós não estaríamos aqui hoje”, afirmou. Moraes rebateu o ex-presidente e saiu em defesa do sistema de votação: “Na verdade, não há nenhuma dúvida sobre o sistema eletrônico.”

Reunião com embaixadores

Moraes também questionou sobre a reunião convocada por Bolsonaro, então presidente, com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada, em 18 de julho de 2022, para disseminar mentiras sobre o sistema de votação brasileiro e as urnas eletrônicas.

As falas do presidente foram transmitidas pela TV Brasil. O ex-presidente justificou que a reunião com diplomatas é “uma política privativa do chefe do Executivo” e que pode ter “exagerado na forma, na entonação”, mas mantém o posicionamento.

“A intenção minha não é desacreditar, sempre foi alertar.” Por causa do encontro, Bolsonaro foi condenado pelo TSE à inelegibilidade até 2030. A audiência é a grande oportunidade para Bolsonaro exercer sua autodefesa.