O presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto, foi o primeiro a tentar jogar água na fogueira. Na quinta-feira, após a sessão de julgamento do mensalão, Barbosa o procurou para reclamar das declarações do colega, e disse que responderia. Os dois acertaram que isso seria feito somente à noite. O relator do mensalão enviou nota à assessoria de imprensa do STF em resposta a Marco Aurélio, mas Ayres vetou a publicação, sob o argumento de que é um espaço institucional.
Em caráter reservado, ministros criticaram o comportamento de Barbosa, que tem feito intervenções enfáticas ao longo do julgamento, na maioria das vezes para criticar as posições do revisor, Ricardo Lewandowski. Entre os integrantes do STF, Ayres Britto era o mais próximo de Barbosa. Após o episódio, não se sabe como ficará a relação. Ayres Britto se aposenta em novembro, deixando Barbosa com a presidência e sem aliados no tribunal. Luiz Fux tem algum trânsito com o colega.
Durante a sessão da última quinta-feira, Marco Aurélio pôs em dúvida a capacidade de Barbosa de conduzir o Supremo Tribunal Federal, devido às discussões com colegas nas quais se envolveu recentemente, principalmente durante as discussões do mensalão. No mesmo dia, Barbosa deu o troco e sugeriu que Marco Aurélio tinha chegado à Corte graças ao parentesco com o ex-presidente Fernando Collor, que o nomeou para o cargo. Também disse que Marco Aurélio é um dos principais obstáculos a quem exerce a presidência do STF. Na sexta-feira, Marco Aurélio disse que não se ofendeu com as críticas do colega. "De forma alguma, de forma alguma (fiquei ofendido). A essa altura, já tenho uma história de vida", afirmou Marco Aurélio. "Compreendo (a declaração de Barbosa) no grande âmbito que é a liberdade de expressão."
O ministro Marco Aurélio acrescentou que, durante o julgamento, o relator tem sido até mais enfático. "Ele tem pego muito mais pesado lá no plenário." Marco Aurélio deixou claro que ele e Barbosa não são amigos. "Amizade, evidentemente, não há. O que nós temos é a ligação profissional. E, acima de nós dois, está a instituição, o Supremo", afirmou.