Política

Cármen Lúcia pede ao governo informações sobre posse de ministro da Justiça

PPS questiona no STF nomeação de Eugênio Aragão

Cármen Lúcia pede ao governo informações sobre posse de ministro da Justiça
Cármen Lúcia pede ao governo informações sobre posse de ministro da Justiça Foto : Antonio Cruz / ABr / Divulgação / CP
 A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, pediu informações à presidenta Dilma Rousseff sobre a posse do ministro da Justiça, Eugênio Aragão. A solicitação foi feita em uma reclamação assinada pelo Partido Popular Socialista (PPS) que questiona o ato de nomeação.

Segundo despacho da ministra, com data do último dia 20 de março, mas publicado nessa quarta-feira no Diário da Justiça, o partido alega que a nomeação do ministro contraria decisão já tomada pelo STF. No dia 9 de março, ministros do STF  aceitaram recurso do próprio PPS e entenderam que o então ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, por ter cargo vitalício de procurador do Ministério Público (MP) da Bahia, não poderia ocupar o cargo de ministro.

Wellington César foi então substituído por Eugênio Aragão, que é subprocurador-geral da República e teve seu afastamento aprovado, por maioria de votos, pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF). Durante a votação no MPF, o conselheiro Carlos Frederico Santos chegou a apresentar uma questão de ordem com relação ao regime jurídico que deveria ser aplicado ao subprocurador: o anterior à Constituição de 1988 ou o posterior. A questão foi vencida e os demais integrantes do conselho aprovaram o afastamento.

Decreto

Segundo o despacho, o PPS pede uma liminar para sustar o decreto de nomeação de Aragão e solicita, no mérito, "a procedência desta reclamação tornando "definitiva a determinação de afastamento de Sua Excelência do exercício do cargo de Ministro de Estado da Justiça."

Na decisão sobre o caso, a ministra Cármen Lúcia mencionou a "excessiva judicialização da matéria relativa ao processo de escolha e de nomeação para cargos governamentais de inegável importância" e lembrou outras ações que chegaram recentemente ao STF questionando atos de nomeação de ministros, como os mandados de segurança sobre a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil.

A ministra disse que é preciso ter prudência para decidir sobre o caso. "A decisão sobre a matéria exige prudência para além do rotineiro, por se cuidar de pleito de afastamento de agente político nomeado para substituir outro antes afastado na esteira de julgamento levado a efeito por este Supremo Tribunal, pelo que não se há de antecipar o atendimento da pretensão posta nesta reclamação sem a prévia oitiva dos órgãos e entidades interessadas". Além das informações pedidas à presidenta, a ministra solicitou que o partido junte à ação a decisão integral do Conselho Superior do Ministério Público Federal.