Política

Câmara de Porto Alegre votará cassação de vereador na próxima segunda-feira

Plenário vai deliberar a perda do mandato de Gilvani o Gringo (Republicanos); processo o acusa por “quebra de decoro parlamentar”

Nos bastidores, entende-se que há vontade política para cassar Gringo
Nos bastidores, entende-se que há vontade política para cassar Gringo Foto : Johan de Carvalho/CMPA/CP

Os vereadores da Câmara de Porto Alegre vão decidir sobre a cassação (ou não) de um dos seus pares na próxima segunda-feira. Trata-se de Gilvani o Gringo (Republicanos), político que terá o seu futuro votado em plenário na última sessão ordinária de 2025. Aprovado na Comissão de Ética e na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o parecer da relatora Karen Santos (PSol) defende a perda de mandato do Gringo. Para ser confirmada, a decisão precisa ser apoiada por 24 dos 35 vereadores. Nos bastidores, entende-se que há vontade política para tal.

Entenda o caso

O requerimento aponta para “quebra de decoro parlamentar”. A acusação se baseia nas declarações do próprio vereador na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Dmae no dia 29 de setembro de 2025. Convocado como testemunha, o aliado admitiu publicamente ter pago propina à autarquia no passado, além de supostamente manter vínculo com uma empresa que presta serviços ao poder público, o que viola a Lei Orgânica do município. No dia 3 de dezembro, o representante do Simers ainda enviou novas provas para corroborar com a denúncia.

E essa não é a primeira acusação. No começo do ano, o sindicato entrou com outra representação na comissão de Ética por suposto abuso de poder praticado pelo parlamentar. A manifestação se refere ao episódio em que Gringo foi à UPA Moacir Scliar, na zona Norte de Porto Alegre, para “verificar se os profissionais estavam trabalhando”. De acordo com o ofício, a atitude teve como único intuito “angariar capital político”. No final, o processo resultou em advertência.

Direito de defesa

Em votação na comissão de Ética, o vereador em julgamento recebeu a oportunidade de defender-se das acusações. “Me deixa estarrecido que a esquerda e a direta tenham se unido para me prejudicar”. De acordo com Gringo, os documentos anexados no processo foram forjados e deflagram uma organização persecutória. “Isso é um esquema”, enfatizou.

O discurso do parlamentar, porém, não se ateve a contestar a motivação dos colegas. Além de apontar para supostos esquemas de corrupção envolvendo as parceirizações, Gringo também atacou frontalmente os vereadores do Novo e o prefeito Sebastião Melo (MDB). Entretanto, o político não fundamentou as suas acusações.

Tramitação

O parecer da relatora Karen Santos (PSol) – que pede a cassação de Gringo – foi aprovado na comissão de Ética nesta quarta-feira. Na sequência, o caso recebeu o aval da CCJ. A partir disso, o processo ficou pronto para ser deliberado no plenário e passou a trancar a pauta em virtude do seu teor, conforme prevê o regimento interno da Casa.

*Supervisão Mauren Xavier