Política

Cardozo diz que decisões do STF sobre mandatos valem como lei

Ministro da Justiça falou sobre a polêmica da cassação de mandatos de três deputados condenados no mensalão

Ministro José Eduardo Cardozo falou sobre a perda imediata dos mandatos de três deputados condenados pelo mensalão
Ministro José Eduardo Cardozo falou sobre a perda imediata dos mandatos de três deputados condenados pelo mensalão Foto : Valter Campanato / ABr / CP
Em meio à polêmica sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de decretar a perda de mandatos dos parlamentares condenados no processo do mensalão, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta terça-feira que as decisões da Corte valem como lei. “As decisões do Supremo, desde que transitadas em julgado, diz a Constituição, valem como lei e deverão ser cumpridas, independentemente da avaliação que as pessoas possam subjetivamente fazer sobre elas”, disse o ministro após balanço do Plano Estratégico de Fronteiras, feito esta manhã no gabinete do vice-presidente da República, Michel Temer.

Nessa segunda-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), classificou de “ingerência” no Parlamento a decisão do Supremo sobre a perda imediata de mandato dos deputados João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT), condenados no processo. Para o petista, a decisão do STF fere a Constituição. No entanto, Maia ponderou que, até a publicação do acórdão, há tempo para uma solução. “A decisão tomada pelo STF, na minha avaliação, contraria o que diz a Constituição e tira uma prerrogativa da Câmara. Como a medida tomada não é imediata, há um período ainda de recursos e debates sobre o tema. Neste período, poderá haver mudanças de opinião e no posicionamento de alguns ministros do Supremo”, disse Maia ontem.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), defende que até a publicação do acórdão também haverá um consenso sobre o destino dos deputados condenados.

Decisão

Após se recuperar de problemas de saúde, o que cancelou duas sessões do julgamento do mensalão, o ministro Celso de Mello posicionou-se a favor da perda imediata dos parlamentares condenados no processo. Com isso, a tese da cassação dos tornou-se maioria entre os ministros, por 5 a 4.

Decano do STF, o ministro Celso de Mello defendeu o "monopólio da última palavra" em seu voto para que a Câmara dos Deputados apenas declare a perda de mandatos dos deputados condenados no processo do mensalão. Ele afirmou que eventual descumprimento da decisão poderia significar crime de prevaricação.

Bookmark and Share