Política

Cardozo promete analisar hoje medidas contra divulgação da gravação de Dilma

Advogado-geral afirmou que áudio não poderia ter sido liberado sem autorização do STF

Cardozo promete analisar hoje medidas contra divulgação da gravação de Dilma
Cardozo promete analisar hoje medidas contra divulgação da gravação de Dilma Foto : Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / CP
O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta quinta-feira, que a cúpula jurídica do governo irá analisar ainda hoje quais medidas devem ser tomadas com relação à divulgação na última quarta-feira de uma conversa privada entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

• Juiz suspende posse de Lula como ministro da Casa Civil

"Falei com a presidente Dilma e com o ministro da Justiça, Eugênio Aragão, e nos parece que há uma evidente ilegalidade na divulgação da gravação", disse Cardozo após cerimônia de posse dos novos ministros no Palácio do Planalto.

Na avaliação do advogado-geral, o conteúdo da gravação não poderia ter sido divulgado sem a autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). "O teor da ligação não tem nenhuma ilegalidade", completou.

Ato

As turbulências que seguiram a divulgação do grampo que captou conversas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff vão ser usadas como estímulo pelos movimentos que organizam um ato de apoio ao governo e contra o impeachment para esta sexta-feira em São Paulo.

Participantes da manifestação prometem incluir na pauta um pedido de afastamento do juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na Justiça Federal em Curitiba e responsável pela decisão de tornar públicos os áudios das ligações telefônicas interceptadas.

Segundo o coordenador da Frente Brasil Popular, Raimundo Bonfim, os movimentos vão questionar a atitude do juiz federal. "O STF precisa afastar o juiz Sérgio Moro da Operação Lava Jato, pois ele, com o propósito de garantir o impeachment, está levando o País a uma situação limite. Pratica atos de afronta a ordem constitucional", disse Bonfim. Para ele, a tensão social vista nos últimos dias "vai aumentar a indignação e, consequentemente, aumentar as mobilizações".