Seja visando a sobrevivência, no caso de partidos menores, seja buscando maior poder no Congresso e aumento de recursos para a disputa de eleição, as federações partidárias podem acabar resultando na união de partidos não por afinidade ideológica ou alinhamento de ideias, mas por simples acesso a essas ferramentas.
Confira o especial completo "Federações se tornam uma das principais armas para eleições de 2026”
Para as eleições de 2026, o país observa um crescimento na busca de alianças através das federações por siglas políticas. O objetivo varia de acordo com o tamanho do partido.
“Em tese, a federação deveria se organizar como uma quase fusão entre os grupos para atuação conjunta, com as mesmas propostas. Mas ela pode atuar simplesmente como um casamento de fachada, preservando cada partido sua própria estrutura interna. E como os partidos no Brasil, em geral, têm donos, que podem ser pessoas ou coletivos, como grupos sindicais, é interessante preservar essa estrutura de base separada. Se a federação levar a uma fusão, o partido que tem maior peso vai acabar incorporando os demais na distribuição de cargos e benefícios. A federação é uma forma de continuar fazendo o dinheiro chegar”, analisa Rodrigo Stumpf Gonzalez, cientista político e professor da Ufrgs.
Porto Alegre observou um exemplo de federação cuja atuação ficou na fachada. A federação PSDB-Cidadania aprovou apoio à candidatura de Juliana Brizola (PDT) nas eleições para a prefeitura da capital gaúcha em 2024. Essa era a vontade dos tucanos, que eram maioria na Executiva. Na prática, candidatos e filiados ao Cidadania fizeram campanha para Sebastião Melo (MDB) no primeiro turno, que acabou reeleito.
Para o Diretor Técnico do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) e analista político Neuriberg Dias, os ‘casamentos de fachada’ desvirtuam o propósito das federações. “Os partidos estão usando as federações para potencializar seu desempenho eleitoral. Muitos não têm convergência fechada em determinados pontos. De certa forma, é até um desvirtuamento do uso das federações, que se destinavam mais para alinhas programas ideológicos e pragmáticos, do que só tirar vagas de outros grupos”, comenta.
Mesmo com aumento das alianças, a prática dificilmente levará a fusões ou incorporações de partidos, que era um dos argumentos para a criação das federações. “Acho difícil essas fusões pelo histórico desses partidos e pela identidade que têm. Até porque faz parte da estratégia dos partidos, do ponto de vista de realização de arranjos em relação a disputa por Poder Executivo”, coloca ainda.