Política

Caso Flávio Bolsonaro provoca embate entre deputados na Assembleia Legislativa do RS

Parlamentares de direita e de esquerda trocaram críticas e defenderam posições distintas sobre a saída do senador do país

Deputados estaduais utilizaram a tribuna da Assembleia Legislativa para se posicionar sobre a situação do senador Flávio Bolsonaro
Deputados estaduais utilizaram a tribuna da Assembleia Legislativa para se posicionar sobre a situação do senador Flávio Bolsonaro Foto : Fabiano do Amaral

Deputados estaduais gaúchos utilizaram a tribuna da Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (27), para se posicionar sobre a situação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa pela Presidência da República. Parlamentares de direita e de esquerda também se manifestaram sobre o resultado do segundo turno das eleições, realizado no último domingo.

“Após as eleições, Flávio Bolsonaro descumpriu ordem judicial para entregar o passaporte e deve estar em rota de fuga. Considero lamentável que lideranças estejam seguindo um líder corrupto como Bolsonaro”, afirmou Halley Lino (PT).

“Na noite da contagem dos votos, começou a caça às bruxas”, declarou Jeferson Fernandes (PT), ao comentar a circulação, em municípios gaúchos, de listas com nomes de pessoas que supostamente votaram em Lula e que, segundo ele, estariam sujeitas a boicotes comerciais, demissões ou perseguições.

“Flávio Bolsonaro disse que não vai desistir do Brasil e acaba de fugir, e vai deixar a base órfã”, acrescentou Jeferson. O deputado também afirmou que o pedido de entrega do passaporte estaria relacionado a uma investigação por suposta lavagem de dinheiro envolvendo o senador.

Mateus Gomes (PSOL) destacou que a ida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, em sua avaliação, demonstra incapacidade de enfrentar a investigação que o aguarda. “Acostumado com a cobertura dos mandatos parlamentares, não aceitou a derrota nas urnas e agora cria um problema grave para o País no âmbito das relações internacionais, com a Argentina, cujo presidente não reconheceu a eleição de Lula, e vai para os EUA, onde Trump também não se manifestou a respeito do resultado eleitoral no Brasil”, afirmou.

Miguel Rossetto (PT) também criticou a saída de Flávio Bolsonaro do País. “Dois dias depois das eleições, foge vergonhosamente, deixando na perplexidade os seus eleitores. Trai o seu eleitorado. Trai o Brasil. Fugiu porque sabe os crimes que cometeu e fugiu porque sabe o que o espera na Justiça”, declarou.

Para Laura Sito (PT), Flávio Bolsonaro nunca teve um plano de governo para o Brasil e viajou para evitar uma possível prisão. “Um verdadeiro líder não abandona seus seguidores para fugir pela porta dos fundos para outro País”, criticou.

Adão Pretto Filho (PT) também comentou a ida do senador para os Estados Unidos. “Quem não deve, não teme. Flávio deve e teme e, por isso, foi abraçar a bandeira americana, deixando os seus para trás”, afirmou. O parlamentar também criticou a circulação de listas de boicote, que atribuiu à “extrema direita derrotada e ressentida, que copiou uma prática nazista para se vingar do povo pela reeleição de Lula”.

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Leonel Radde (PT) afirmou que, caso Flávio Bolsonaro tivesse vencido a eleição, as investigações sobre a relação do senador com o escândalo do Banco Master e com supostos casos de corrupção no INSS seriam encobertas. “O candidato do PL fugiu de forma vergonhosa do Brasil para se colocar sob as asas de Donald Trump, mostrando quem realmente é”, declarou.

Zé Nunes (PT), ao se referir a Flávio Bolsonaro, chamou o senador de “fujão” e afirmou que ele deixou o País por saber que teria contas a acertar com a sociedade brasileira. “Sempre tiveram denúncias sobre ele nas eleições nas quais participou”, disse.

Sofia Cavedon (PT) questionou a visão de democracia e patriotismo do senador e declarou orgulho do presidente Lula. “Que esteve preso por mais de quinhentos dias e seguiu a servir o País. Esse cidadão Flávio não era digno de ser presidente da República”, concluiu.

Em defesa

Em contraponto às críticas, outros deputados utilizaram a tribuna para defender Flávio Bolsonaro.

Professor Cláudio Branchieri (PL) destacou que, minutos após Lula ser considerado vencedor da eleição, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes teria determinado o cancelamento do passaporte de Flávio Bolsonaro. “Enquanto Jair Bolsonaro continua preso por um crime que não cometeu e Lulinha está foragido na Espanha, Flávio Bolsonaro negou-se a ser refém e, nos Estados Unidos, vai estar protegido por uma democracia”, afirmou.

Felipe Camozzatto (NOVO) também comentou a saída do senador do País e disse que, em seu lugar, agiria da mesma forma, “pois não dispõe, como o presidente Lula, de ministros para retirá-lo da cadeia”.

O parlamentar afirmou que o PT já dispunha de um plano para prender o candidato do PL após a eleição. Camozzatto também comparou a saída de Flávio Bolsonaro do País à fuga de Leonel Brizola durante a ditadura militar e citou outros líderes da esquerda, como Jango, Miguel Arraes, José Dirceu e Luís Carlos Prestes.