Política

CCJ aprova projeto que flexibiliza regras do Sistema Estadual de Recursos Hídricos do RS

Texto que retira obrigatoriedade de outorga para uso de águas subterrâneas na agricultura, pecuária e silvicultura agora segue para comissões de mérito

Projeto sofre oposição de entidades ambientais e, também, de comitês de bacias hidrográficas do RS
Projeto sofre oposição de entidades ambientais e, também, de comitês de bacias hidrográficas do RS Foto : Mauro Schaefer

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa aprovou, na manhã desta terça-feira, por nove votos a três, o projeto de lei (PL) 97/2018. A proposta é para mudar a lei 10.350/94, que institui o Sistema Estadual de Recursos Hídricos. A alteração acaba com a obrigatoriedade de outorga para uso de acumulações de águas pluviais e captações de águas subterrâneas destinadas a atividades agrossilvipastoris (agricultura, pecuária e silvicultura) em todas as bacias do Estado. Também deixa de exigir outorga para poços comunitários destinados ao abastecimento público. O texto original, e que continua em vigor, dispensa da outorga apenas “os usos de caráter individual para satisfação das necessidades básicas da vida”.

Veja Também

Após a aprovação na CCJ, a proposta segue para análise nas comissões de mérito do Legislativo. Votaram a favor do texto na CCJ o presidente do colegiado, deputado Frederico Antunes (PP), Marcus Vinícius (PP), Nadine Anflor (PSDB), Valdir Bonatto (PSDB), Edivilson Brum (MDB), Luciano Silveira (MDB), Luciano Zucco (Republicanos), Martim Adreani (Republicanos) e Cláudio Tatsch (PL). Os votos contrários foram de Luciana Genro (Psol), Luiz Fernando Mainardi (PT) e Miguel Rossetto (PT).

O projeto com novo abrandamento da legislação ambiental é de autoria do deputado Elton Weber (PSB), e tramita na Casa desde 2018. Ele sofre oposição de entidades ambientais e, também, de comitês de bacias hidrográficas do RS. A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) emitiu nota na qual caracteriza o PL como “um retrocesso na gestão e proteção dos recursos hídricos” e considera que o texto “ataca pontos fundamentais da legislação, desestruturando a lógica da gestão sustentável”. Weber, que participou da reunião da CCJ, argumentou que a proposta mantém obrigatoriedades como a de licença dos poços e do cadastro de usuários da água. E assinalou que foi construída em conjunto com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag/RS).

No período de discussões do texto na CCJ, os parlamentares Luciano Silveira (relator da proposta na comissão, com parecer favorável), Marcus Vinícius e Zucco argumentaram pela constitucionalidade da matéria, rebatida por Mainardi e Rossetto.