Aliados da ex-deputada Manuela D’Ávila admitem que, apesar de ela ter sido convidada para ingressar no PT e no PSol, é a crise no PSB gaúcho que pode acabar antecipando definições públicas da antiga integrante do PCdoB, e uma reviravolta na posição atual do PSB do RS.
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Manuela tem relação antiga e próxima com o ex-deputado federal Beto Albuquerque, que tenta retomar o controle do partido no Estado, e cujo grupo questiona a escolha do novo comando do PSB no RS. Congresso ocorrido em abril elegeu o novo diretório do partido, mantendo o grupo que atualmente está no comando, e definindo o ex-deputado José Luiz Stédile como o próximo presidente (a partir de 1º de agosto).
Em função de regras internas, o novo comando precisa ser formalmente reconhecido e nomeado pela direção nacional do partido até 31 de julho. Se a nacional não fizer isto, a eleição é desconsiderada, a nacional monta uma comissão provisória e escolhe um presidente até que seja realizado um novo congresso.
O comando atual e o eleito do PSB gaúcho pertencem a mesma ala dentro do partido. Que inclui, entre outras lideranças, os deputados Heitor Schuch (federal) e Elton Weber (estadual). O grupo é alinhado com o governo de Eduardo Leite (PSD), defende a manutenção da aliança governista, com apoio à pré-candidatura do vice, Gabriel Souza (MDB), ao Piratini, não pleiteia cargos na chapa majoritária para 2026 e foca em um eleitorado de centro-direita.
Já Beto trabalha pela intervenção da nacional, presidida pelo prefeito de Recife, João Campos, aliado do presidente Lula. O ex-deputado, cuja relação com os petistas é marcada por aproximações e afastamentos, quer que a sigla, no RS, volte a participar de uma coligação com o PT, com espaço na majoritária.
É dentro deste cenário conflagrado do PSB gaúcho que a ida de Manuela D’Ávila para o partido ganhou força e se tornou concreta a possibilidade de uma negociação na qual ela poderia se transformar em presidente da legenda no RS, promovendo um rearranjo significativo, no qual o partido abandonaria Eduardo Leite e formaria uma coalizão com os petistas.
O movimento implica na saída certa de algumas das atuais lideranças da legenda. Em conversas reservadas, a ex-deputada admite a aliados que prefere ir para o Psol, mas que não é possível desconsiderar as possibilidades que foram abertas dentro do PSB.
No PSB, a executiva nacional tem interesse em que a legenda, no Estado, retorne ao campo da esquerda. E tem feito movimentos no sentido de uma solução negociada, que contemple os dois grupos. Mas, por enquanto, a situação segue convulsionada.
“Vamos respeitar o que a nacional tirar. Se for homologada minha presidência, vou ouvir todo o partido e respeitar a posição majoritária. Hoje, o que sinto é que a posição majoritária do partido, no RS, não é ter uma aliança com o PT, é seguir na atual coligação”, assegura o presidente eleito, José Luiz Stédile.
Sobre um possível ingresso de Manuela na sigla, ele garante que a prioridade do PSB, nacionalmente, não é a eleição de senadores, mas sim de deputados. “O próprio Carlos Siqueira (vice-presidente de Relações Interpartidárias) me disse que o partido não vai gastar um centavo com possibilidade de candidaturas ao Senado.” Segundo Stédile, nem a atual direção no RS e nem a eleita mantêm conversas com a ex-deputada. “Esta é uma conversa do Beto, com interesse do PT. Acreditávamos que ela iria para o PSol, mas o PSol não tem como ter dois candidatos, porque está indicando possivelmente o vice-governador na chapa. É um arranjo”, considera Stédile.