Em um almoço destinado ao encontro do ex-presidente Jair Bolsonaro com os pré-candidatos a prefeituras de municípios gaúchos no pleito deste ano, a corrida pelo Palácio Piratini nas futuras eleições de 2026 foi pauta. Enquanto Bolsonaro discursou buscando inflamar seus apoiadores e demonstrar compromisso com as eleições municipais no Estado e aqueles que representarão o bolsonarismo nas urnas, o presidente estadual do PL adiantou uma discussão que deverá ser feita pelo partido muito em breve.
O deputado federal Giovani Cherini, que durante oito anos atuou como coordenador da bancada gaúcha no Congresso Nacional e comanda o PL desde antes de Bolsonaro migrar à legenda vindo do antigo PSL (hoje União Brasil), definiu Luciano Zucco como o próximo governador do Rio Grande do Sul.
Zucco é presidente do partido em Porto Alegre, esteve à frente das negociações eleitorais que definiram a vice-candidatura de Betina Worm na chapa do atual prefeito Sebastião Melo (MDB) e tem centralizado as ações da pré-campanha na Capital. O tenente-coronel é muito próximo a Bolsonaro. Foi ele quem articulou a vinda do ex-presidente ao Estado e acompanhou toda an agenda dos últimos dias.
Ao ouvir o discurso, Zucco amenizou as falas, mas sem deixar de se colocar à disposição do partido. Disse que tem um líder - Jair Bolsonaro - e que estaria pronto para atuar onde o ex-presidente o escolhesse para concorrer. Vale destacar que Zucco foi o deputado federal mais bem votado do RS em 2022.
O discurso de Cherini causou desconforto em alguns presentes — principalmente na ala ligada ao ex-ministro Onyx Lorenzoni, que foi o candidato do PL ao governo do Rio Grande do Sul e disputou o segundo turno das eleições de 2022 contra Eduardo Leite (PSDB), que acabou se reelegendo. No encontro, estavam presentes inclusive bolsonaristas de outros partidos.
Antes deste almoço e do discurso do presidente estadual, enquanto cumprimentava e tirava foto com apoiadores em um cercadinho improvisado na frente do restaurante Parrilla Del Sur, Bolsonaro foi questionado se Zucco concorreria ao Piratini em 2026. "Senador”, respondeu o ex-presidente, de forma breve, à pergunta.
As manifestações expõem um debate que deverá ser feito internamente pelas lideranças da sigla durante os próximos dois anos. Onyx, por sua vez, não foi ao almoço, pois não se encontra no Brasil. O ex-chefe de três ministérios durante o governo Bolsonaro, porém, deve retornar ao Estado no próximo mês para participar da campanha eleitoral.