Em 2022, elegeram representantes na Câmara dos Deputados 23 partidos diferentes. Destes, 13 não superaram o mínimo determinado em uma dos critérios da cláusula de barreira de 13 deputados: Podemos (12 eleitos), PSol (12), Avante (7), PV (6), PCdoB (6), PSC (6), Cidadania (5), Patriota (4), Pros (4), Solidariedade (4), Novo (3), Rede (2) e PTB (1).
Confira o especial completo "Federações se tornam uma das principais armas para eleições de 2026”
A maioria buscou alternativas. O Podemos incorporou o PSC e chegou perto de se fundir com o PSDB, mas as negociações foram interrompidas às vésperas de um acordo. O PSol se federou com a Rede ainda em 2022. PV e PCdoB se federaram com o PT no mesmo ano. Também em 2022, o Cidadania se federou com o PSDB, mas o “casamento” será encerrado no ano que vem. Patriota e PTB se fundiram para formar o PRD. O Solidariedade e o PRD anunciaram recentemente uma federação. Avante e Novo não realizaram movimentos dessa natureza.
"Esses processos são basicamente reações a mudanças da legislação. Já há 25-30 anos, siglas de partidos passaram a significar muito pouco para a maior parte das pessoas do país. Há 10-15 anos ainda havia três ou quatro partidos que conseguiam mobilizar um certo grau de identidade – PT, PSDB, em algumas partes do país o MDB. Mas mesmo esses começaram a perder capacidade de mobilização. O PSDB se dissolveu praticamente com as derrotas eleitorais. O PT, por conta dos escândalos, tem dificuldade de mobilizar uma nova geração. Então os partidos são uma exigência eleitoral para o indivíduo se candidatar e um mecanismo de financiamento eleitoral, na medida em que houve a proibição do financiamento empresarial de campanha”, analisa Rodrigo Stumpf Gonzalez, cientista político e professor da Ufrgs.
"A federação é a salvação para os que desapareceriam. Se ocorre uma fusão, aquele partidos que tem menor peso vai acabar sendo incorporado. A federação é uma forma de fazer sobreviver, continuar fazendo dinheiro chegar, mesmo aos partidos menores, e preservar o certo grau de sobrevivência de um grupo que muitas vezes o objetivo partidário não é nem ganhar as eleições”, segue.
Experiências positivas e negativas
Das primeiras federações, permanecem as dos partidos de esquerda. Tanto o bloco formado por PT, PCdoB e PV quanto o formado por PSol e Rede, ambos criados em 2022, estão em tratativas para renovar as alianças em 2026.
Já a outra parceria concretizada em 2022 não deu certo. PSDB e Cidadania já encerram ao menos politicamente a federação formada há três anos. Atualmente, há uma consulta aberta junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para saber se a federação pode ser encerrada formalmente sem retaliações.
A lei prevê sanções caso uma federação se encerre antes do prazo mínimo de quatro anos, como a perda de acesso ao fundo partidário até o fim do prazo mínimo da união e a proibição de fazer coligações nas duas eleições seguintes.
A federação não deu certo nem nacionalmente nem nos municípios. Ela já começou dividida, visto que foi aprovada por apenas um voto pelo diretório do Cidadania. Em Porto Alegre, por exemplo, foi a ala do PSDB que definiu por apoio da federação à candidatura de Juliana Brizola (PDT) nas eleições de 2024. Na prática, filiados do Cidadania fizeram campanha para Sebastião Melo (MDB), que acabou reeleito. Outras divergências ocorreram em diferentes municípios do Rio Grande do Sul e do Brasil.