O governo brasileiro vai criar uma força-tarefa para ajudar diretamente na negociação de hospedagens para delegações estrangeiras em Belém durante a COP30. Nesta sexta, 22, o Brasil negou um pedido da Organização das Nações Unidas (ONU) para subsidiar a acomodação dos países e pediu que a entidade amplie auxílio financeiro dado às nações para participar da conferência.
Até o momento, as delegações de 39 países já confirmaram suas reservas na plataforma de hospedagem do governo federal e outros 8 locaram acomodações por fora. Estão neste último grupo Egito, Espanha, Portugal, República do Congo, Cingapura, Arábia Saudita, Japão e Noruega.
'O governo brasileiro deixou claro que não há nenhuma condição de mudança de cidade-sede', afirmou a secretária executiva da Casa Civil, Míriam Belchior, que participou da reunião. A ONU insistiu que o Brasil fornecesse auxílio financeiro para os países participantes da conferência.
'O governo se posicionou que já está arcando com custos significativos para a realização da COP e, por isso, não há como subsidiar delegações de países que, inclusive, são mais ricos que o Brasil. Não cabe aos brasileiros fazer subsídio a outros países', afirmou Míriam.
Detalhes
A ONU propôs que o Brasil financiasse US$ 100 para os países menos desenvolvidos e insulares e outra faixa de valores, que não foi detalhada pela secretária, para os demais participantes. 'Falamos claramente que o Brasil não tem condição, mas que (apoiamos) essa proposta de a ONU subir um pouquinho a contribuição que dá', disse.
Ela afirma que a ONU fixou em US$ 144 o valor do subsídio para Belém, mas em outros países, como na Alemanha, onde ocorre a Conferência de Bonn, uma preparatória da COP, o valor era de US$ 400.
'Em qualquer outra cidade do mundo eles pagariam, então por que não pagam em Belém? Não estamos pedindo os US$ 400 de Bonn, estamos pedindo o que seria em São Paulo ou no Rio, que é US$ 250', argumentou Míriam.
A ONU justificou que a mudança de valor demandaria tempo. Apesar do impasse, a leitura do governo brasileiro é de que a reunião serviu para acalmar os ânimos. 'Em função das respostas enviadas, baixou um pouco a temperatura', analisou Míriam Belchior.
Nesse contexto, o Brasil vai criar uma força-tarefa com funcionários dos Ministérios das Relações Exteriores, do Turismo, do Meio Ambiente e Mudança do clima - além de membros da secretaria da COP - para auxiliar as delegações estrangeiras nas negociações por hospedagem.
'A ideia é que a gente tenha um grupo de pessoas que possa ligar para polos focais da própria ONU nesses países para perguntar, saber o que está acontecendo e ver o que a gente consegue resolver', disse o secretário extraordinário, Valter Correia.
Segundo ele, o Brasil vai entrar em contato primeiro com os países mais pobres, que têm sido os mais afetados pela crise de hospedagem, e depois para os demais para 'achar alternativa com conhecimento local'. 'O governo do Estado tem um conhecimento vasto sobre condomínios, pessoas (com imóveis para locação), que pode ajudar', disse.
Reserva
Em termos práticos, o Brasil flexibilizou as datas de reserva na plataforma oficial. Havia uma queixa de que os países só conseguiam efetuar reserva para o período fixo de 15 dias. Agora, o governo vai oferecer pacotes de dez dias, com reserva em blocos.