Política

Começa julgamento do TCU sobre contas do governo Dilma

Depois de analisado, documento poderá sugerir aprovação ou não das contas

Depois de analisado, documento poderá sugerir aprovação ou não das contas
Depois de analisado, documento poderá sugerir aprovação ou não das contas Foto : José Cruz / Agência Brasill / Divulgação / CP
O Tribunal de Contas da União (TCU) iniciou há pouco o julgamento sobre as contas do governo da presidenta Dilma Rousseff relativas ao ano de 2014. A análise das contas governamentais terá como base o parecer prévio preparado pelo relator da matéria, ministro Augusto Nardes. Depois de analisado pelo plenário do tribunal, o documento - que poderá sugerir a aprovação ou não das conta do governo - subsidiará a decisão do Congresso Nacional sobre a aprovação da contabilidade apresentada pela Presidência da República.

O julgamento deste ano conta com um fato inédito: pela primeira vez um procurador do Ministério Público (MP), no caso Júlio Marcelo de Oliveira, apresentou uma manifestação de cunho pessoal e a título de colaboração, na qual pede a reprovação das contas apresentadas pelo governo federal por infringir a Lei de Responsablidade Fiscal (LRF) e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), nas chamadas "pedaladas fiscais". A posição dele, no entanto, não necessariamente será a mesma do procurador-geral no MP junto ao TCU, Paulo Soares Bugarin, que participa da sessão.

Em algumas oportunidades, o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Nelson Barbosa, disse que essas pedaladas fiscais são, na verdade, "diferenças na interpretação jurídica" de algumas ações financeiras implementadas não só pelo governo da presidenta Dilma Rousseff, mas também durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo Barbosa, a implementação de programas sociais depende de agentes financeiros que têm de ser restituídos pelos serviços prestados. Eventuais atrasos nos repasses, lembrou o ministro, não são irregulares até por estarem previstos em contrato.

O atraso nesses repasses foram fatores que levantaram suspeitas de que o governo estaria praticando as pedaladas fiscais para maquiar suas contabilidades. "(Os programas sociais) dependem, na maior parte, de bancos públicos. Para implementar esses programas, o governo tem de repassar dinheiro aos agentes prestadores de serviços. Eventuais atrasos nesses repasses estão previstos em contrato, quando há desequilíbrio de caixa", justificou o ministro em maio, durante audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.