Política

Comissão aprova relatório final do Orçamento 2013

No Congresso, proposta só será avaliada no ano que vem

Comissão discute aprovação do Orçamento 2013
Comissão discute aprovação do Orçamento 2013 Foto : Marcos Oliveira / Agência Senado / CP
O relatório geral do orçamento de 2013 foi aprovado na Comissão Mista de Orçamento (CMO) na manhã desta quinta-feira. Ainda assim, o governo não poderá fazer novos investimentos, já que a matéria precisaria passar por sessão do Congresso Nacional, o que não ocorrerá mais este ano.

Dessa forma, só poderão ser executadas despesas obrigatórias, gastos limitados a 1/12 do que determina a Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO), enviada em agosto, além dos restos a pagar, que garante a continuidade de obras já em andamento. O relator da proposta, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) anunciou um acordo para resolver questões que geraram impasse e vinham impedindo a votação do relatório. "Estamos retirando do cálculo da saúde o saneamento, o Programa Academia de Saúde, a Agência Nacional de Saúde (ANS) e os gastos com resíduos sólidos”.

Jucá manteve os gastos com hospitais universitários e com uma fábrica da Hemobrás, e prometeu incluir cerca de R$ 3,5 bilhões para gastos com média e alta complexidade hospitalar e com o Piso de Atenção Básica. Nenhum dos 199 destaques apresentados foi aceito pelo relator.

O deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA), que se colocou contra a votação, insistiu na votação de seis destaques de sua autoria em separado, mas todos foram rejeitados. O vice-líder do DEM na Câmara, deputado Pauderney Avelino (AM), também questionou a votação do parecer após o acordo que suspendeu as sessões do Congresso este ano. O presidente da comissão, deputado Paulo Pimenta (PT-RS) disse que isso não impede os trabalhos da comissão.

Pimenta convocou a reunião mesmo após o acordo de ontem entre líderes do Senado e da Câmara dos Deputados para não votar nenhuma pauta conjunta até que seja definida a votação dos vetos presidenciais. Ele voltou a criticar a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de obrigar a votação de todos os vetos presidenciais para que se pudesse votar os relativos a royalties. "Ele não imaginou que isso inviabilizaria tanta coisa importante para o País".

Sarney lamenta não ter participado da votação


O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), lamentou não ter conseguido votar o orçamento de 2013. "Ninguém está mais triste do que eu com essa situação. No último ano do meu mandato, vou deixar sem o orçamento votado, coisa que nunca tinha sido nos mandatos que exerci, mas é do processo democrático." Sarney encerra na sexta-feira, quando acaba o ano legislativo, o mandato de dois anos para o qual foi reeleito - ele também foi presidente no exercício 2009/2010. Lideranças da Câmara dos Deputados e do Senado decidiram encerrar os trabalhos do Congresso Nacional em acordo firmado nessa quarta. Portanto, apesar de ter tido seu relatório aprovado na CMO, o Orçamento de 2013 não será mais votado este ano.

Sarney disse que, ao optar por votar os cerca de 3 mil vetos em pacote - isso deveria ter ocorrido na sessão de quarta -, tentou cumprir a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, segundo a qual os vetos dos royalties não poderiam ser votados antes dos que o antecediam. Neste caso, a pauta do Congresso estaria trancada e nenhuma matéria poderia ser analisada. "Nós achamos que votando os vetos todos como ele mandava, pela ordem cronológica, nós teríamos a oportunidade de abrir a pauta e continuar as votações", afirmou José Sarney.

Bookmark and Share