Política

Comissão do Senado aprova pedido para ouvir ex-diretor da Abin sobre suposta omissão no 8 de Janeiro

Senadores afirmam que Saulo Moura da Cunha não agiu durante os atos extremistas que vandalizaram as sedes dos Três Poderes

Vândalos atacam prédios na Praça dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.
Vândalos atacam prédios na Praça dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023. Foto : MARCELO CAMARGO / AGÊNCIA BRASIL / CP

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado aprovou nesta quinta-feira um pedido para ouvir o ex-diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Saulo Moura da Cunha, que estava à frente da agência durante os atos extremistas do 8 de Janeiro, em Brasília. O depoimento ainda não tem data marcada.

A iniciativa de ouvir Cunha partiu do senador Esperidião Amin (PP-SC), para quem a Abin foi "omissa" durante o episódio de depredação às sedes dos Três Poderes. Dias antes do 8 de Janeiro, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) enviou um relatório sigiloso, elaborado pela Abin, ao Congresso Nacional. O encaminhamento do documento mostrou que o governo federal sabia da possibilidade de eventuais ataques.

A agência informou que tinha identificado a convocação de diversas caravanas com direção à capital federal. No texto, a Abin teria apontado os riscos de eventuais distúrbios, mas nada foi feito.

À época, interlocutores do presidente disseram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria ficado incomodado com a falta de ação do general Gonçalves Dias, que comandava o GSI no 8 de Janeiro. A confirmação do depoimento do então reponsável pela Abin ocorre na esteira de trocas de servidores do GSI. Nessa quarta (26), Ricardo Cappelli — que ocupa o ministério interinamente após a demissão de Gonçalves Dias — exonerou 29 servidores, a pedido de Lula.

Abin: do GSI para a Casa Civil

Cappelli anunciou nesta quinta que outros 58 servidores também serão dispensados, em função da "renovação do quadro de funcionários do GSI". Até março deste ano, a Abin era ligada ao GSI. Após o 8 de Janeiro, porém, Lula transferiu o comando da agência para a Casa Civil. Servidor de carreira da Abin desde 1999, Saulo Moura da Cunha coordenou as ações de inteligência relacionadas à organização da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016, eventos esportivos realizados no Brasil.