Política

Comissão de Ética da Câmara de Porto Alegre avalia cassação de vereador nesta sexta-feira

Gilvani o Gringo (Republicanos) é acusado por quebra de decoro parlamentar; relatora, Karen Santos (PSol) pediu a perda do mandato

Aliado está sendo acusado por quebra de decoro parlamentar
Aliado está sendo acusado por quebra de decoro parlamentar Foto : Ederson Nunes/CMPA/CP

O vereador Gilvani o Gringo (Republicanos) sofre a ameaça de ser cassado pela comissão de Ética da Câmara de Porto Alegre. Tramita um processo – protocolado pelo presidente do Sindicato Médico do RS (Simers), Marcelo Matias – que pede a cassação do integrante da base aliada do prefeito Sebastião Melo (MDB).

Nesta quinta-feira, a relatora do caso, Karen Santos (PSol), avalizou o pedido da entidade em seu parecer. Diante disso, Jessé Sangalli (PL), presidente do grupo, convocou uma sessão extraordinária para a tarde desta sexta-feira. A reportagem entrou em contato com Gringo, porém não obteve resposta até a publicação desta matéria. A sua assessoria afirmou que não irá se manifestar, pois não teve acesso ao parecer do processo.

O requerimento aponta para suposta “quebra de decoro parlamentar”. A acusação se baseia nas declarações do próprio vereador na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Dmae no dia 29 de setembro de 2025.

Convocado como testemunha, o aliado admitiu publicamente ter pago propina à autarquia no passado, além de supostamente manter vínculo com uma empresa que presta serviços ao poder público, o que viola a Lei Orgânica do município. No dia 3 de dezembro passado, o representante do Simers ainda enviou novas provas para corroborar com a denúncia.

E essa não é a primeira acusação. No começo do ano, o Simers entrou com outra representação na comissão de Ética por suposto abuso de poder por parte do parlamentar. A manifestação se refere ao episódio em que Gringo foi à UPA Moacir Scliar, na zona Norte de Porto Alegre, para “verificar se os profissionais estavam trabalhando”. De acordo com o ofício, a atitude teve como único intuito angariar capital político. No final, o processo resultou em advertência.

Próximos passos

Caso o grupo concorde com o parecer de Karen Santos (PSol), o caso será votado no plenário da Casa. Se rejeitá-lo, o processo será distribuído para um novo relator. Nos bastidores, porém, entende-se que há vontade política pela cassação. No plenário, são necessários 24 votos, entre os 35 vereadores (incluindo o acusado), para consumar a cassação.

Se cassado, a vaga ficará com o primeiro suplente, o atual secretário de Esporte e Lazer de Porto Alegre, Professor Tovi (Republicanos).

*Supervisão Mauren Xavier