Um dos principais indícios da acusação contra o general Augusto Heleno, ex-ministro do GSI, é uma agenda apreendida em sua casa com registros de teor golpista, popularmente conhecida como "caderneta golpista", segundo a Polícia Federal.
No segundo dia do julgamento da Ação Penal 2668, a defesa do réu, a primeira a se manifestar, buscou deslegitimar o documento. "Essa agenda era apenas um suporte de memória do general", afirmou o advogado Matheus Mayer Milanez.
Com base em slides que incluíam falas do general, de testemunhas e trechos da acusação da Procuradoria-Geral da República, Milanez sustentou que não existem provas, nem da Polícia Federal nem do Ministério Público, de que a agenda teria sido usada por Heleno com fins golpistas. "São meras alegações sem arcabouço probatório", disse.
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O advogado destacou que os supostos indícios do golpe, apontados pela PF na caderneta, consistem em anotações desconexas. Um exemplo seria a distância de "100 páginas" entre uma anotação e outra.
Ele questionou ainda a exclusão, pela PF, das duas últimas páginas do documento na acusação. "(São) claramente questões eleitorais. Por isso, curiosamente, a PF esqueceu de incluí-las. Ela pega esses quatro pontos, amarra à questão do MJ, e estaria claro um planejamento de golpe? Não. Parte disso não tem relação com a outra", afirmou.
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