Política

"Compromisso entre Estado e União não pode ser esquecido", diz ministro do STF

Marco Aurélio Mello ainda não analisou pedido do governo para evitar bloqueio de contas

Marco Aurélio Mello afirmou que ainda não analisou pedido do governo para evitar bloqueio de contas
Marco Aurélio Mello afirmou que ainda não analisou pedido do governo para evitar bloqueio de contas Foto : Nelson Júnior / STF / Divulgação / CP
O governo do Estado ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar evitar o bloqueio das contas do Rio Grande do Sul em função do não pagamento da parcela de dívida com a União. O processo, que foi distribuído para a relatoria do ministro Marco Aurélio Mello, ainda não foi analisado. Mello, no entanto, acredita que o compromisso firmado entre Estado e União não pode ser ignorado. 

"É possível que o pedido já esteja na pasta, mas como a carga de processos semanal é muito grande, ainda não tive contato com a matéria. De início, essa relação jurídica tem que ser tratada na mesa de negociações. Não sei qual é a causa de pedido junto ao STF, mas não podemos esquecer o compromisso entre o Estado e a União e passarmos por cima disso", afirmou o ministro Marco Aurélio Mello em entrevista à Rádio Guaíba nesta quinta-feira.    

Embora não tenha tido acesso ao conteúdo do pedido do governo do Estado para evitar o bloqueio das contas, Mello quer entender o que motivou o pedido e disse que o Executivo é quem precisar dar o exemplo em relação ao pagamento das dívidas. "O cidadão comum quando deve, ele não tem que honrar a sua dívida? Nós temos que entender que o exemplo precisa vir de cima. Precisamos saber o que houve com o Rio Grande do Sul para chegar nesta situação", explicou o ministro. "Alguma coisa está errada e precisa ser corrigida", acrescentou. 

Mello não soube determinar o momento em que será analisado o pedido do governo do Estado, ainda que tenha sido feito em caráter de urgência. "Eu não sou um juiz de um único processo. Eu recebo por semana 100 novos processos, o que é impensável em termos de suprema corte. Meu gabinete não é uma fábrica. Tenho assessores, mas eles não julgam", argumentou.

A ação do Palácio Piratini é preventiva, já que neste mês, mais uma vez, ocorrerá o atraso do pagamento da parcela da dívida, no valor de cerca de R$ 280 milhões. Devido ao atraso de julho, o Executivo ficou nove dias com as contas bloqueadas, perdendo integralmente a gerência sobre pagamentos e transferências municipais, do dia 11 ao dia 20.