Política

Conselho de Ética aprova relatório que pede a cassação de Demóstenes

Processo agora será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa

Senadores aprovam de forma unânime relatório por cassação de Demóstenes
Senadores aprovam de forma unânime relatório por cassação de Demóstenes Foto : José Cruz / ABr / CP
Os senadores aprovaram de forma unânime o relatório que pede a cassação do senador Demóstenes Torres. Os 15 membros da Comissão de Ética da Casa acompanharam o relator Humberto Costa (PT-PE) que detalhou no documento os motivos para encerrar o mandato de Demóstenes, acusado de envolvimento em contravenções do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Após a conclusão da leitura do voto de Humberto Costa, o presidente do Conselho de Ética, senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), iniciou a contagem de votos nominais e abertos. Todos foram favoráveis ao processo.  Agora, ele  terá de ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Depois, segue para o plenário da Casa, onde se espera que passe por votação secreta daqui a duas semanas.

Num relatório de 79 páginas, Humberto Costa disse que há provas "robustas" e manifestas" do envolvimento de Demóstenes com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Antes da votação, o senador Mário Couto (PSDB-PA) disse que vai abrir em plenário seu voto, mesmo que ele venha a ser anulado. Ele defendeu que o processo seja votado em sessão aberta em plenário. 

Senadores criticam Demóstenes

Couto afirmou que se desligará do conselho se o Senado inocentar Demóstenes. "Traga o caixão do Senado Federal, enterre o Senado, sepulte de uma vez. Que moral teremos mais depois disso", disse. "O senador Demóstenes Torres sabia e sabe o que é certo, mas resolveu trilhar o caminho do errado", afirmou o senador Pedro Taques (PDT-MT). "A mim, ele enganou o tempo todo", afirmou o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Simon e Taques não são integrantes do conselho, mas acompanharam a sessão de votação.

Ao longo de três horas de leitura do seu voto, Humberto Costa afirmou que o senador usou o seu mandato para "influenciar as diversas esferas do poder em favor dos negócios do contraventor". Ele disse que Demóstenes não apenas feriu a ética e o decoro parlamentar, mas também cometeu os crimes de advocacia administrativa e favorecimento pessoal. No parecer, o relator disse que o contraventor é um "verdadeiro anjo-da-guarda do senador".

Segundo Costa, Cachoeira estava sempre trabalhando para proporcionar "comodidade", "conforto" e "bem-estar" ao parlamentar: deu um rádio Nextel para o parlamentar falar, com a conta paga, comprou presentes no valor de R$ 170 mil, entre eles uma mesa de jantar (US$ 18 mil), um aparelhagem de som (US$ 27 mil), cinco garrafas de vinho (US$ 15 mil) e um fogão e geladeira no casamento (US$ 25 mil). Costa considerou ser "inacreditável" que Demóstenes não soubesse que Cachoeira era contraventor.

Pelas contas do relator, o senador e o contraventor encontraram-se 40 vezes e se falaram pelo telefone Nextel 97 vezes. No texto, o relator citou o fato de o senador ter trocado 416 telefonemas em 316 dias com Cachoeira e integrantes do grupo do contraventor. Em outras 315 situações, seu nome foi citado por terceiros. "Acredito que a todos nós ocorreu o mesmo que se passou com o senador Randolfe Rodrigues: a constatação de que nem mesmo com as nossas famílias falamos tanto!".


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