Política

CPI decide reconvocar Cachoeira para depor na próxima terça

Parlamentares ofereceram aos advogados do bicheiro amplo acesso aos documentos da investigação

CPI decide reconvocar Cachoeira para depor na próxima terça
CPI decide reconvocar Cachoeira para depor na próxima terça Foto : Gervásio Baptista / SCO / STF / CP
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investiga as relações do contraventor goiano Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados, decidiu, de forma unânime, nesta terça-feira reconvocar Cachoeira para depor na terça-feira da semana que vem. A CPI decidiu pedir formalmente que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, volte atrás em sua decisão de suspender o depoimento do bicheiro ao colegiado, que estava previsto para ocorrer na tarde desta terça.

Os deputados e senadores também decidiram oferecer aos advogados de Carlinhos Cachoeira o "amplo acesso" aos documentos da investigação, que estão em poder da comissão. A defesa do contraventor terá as mesmas prerrogativas que os parlamentares no acesso aos inquéritos da Polícia Federal (PF). O requerimento, nesse sentido, foi apresentado pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e aprovado pelos integrantes da comissão.

Habeas corpus a Cachoeira causa polêmica

O habeas corpus a Carlinhos Cachoeira foi concedido em caráter liminar, pelo ministro Celso de Mello, e obrigou a comissão a suspender o depoimento do empresário. "Essa decisão abre um precedente muito grave, caso o STF a confirme no julgamento do mérito. Ela desrespeita o poder da CPMI de investigar. Imaginem quantos pedidos de habeas curpus estarão lá (no STF) de pessoas que não querem comparecer à CPMI", considerou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL- AP). Há uma interferência clara do Poder Judiciário no Legislativo", considerou Rodrigues.

Com a ausência de Cachoeira, o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), explicou a decisão de negar acesso ao advogado de Cachoeira, Márcio Thomaz Bastos, aos documentos da CPI no início desse mês. Ele alegou que a comissão é fonte "secundária" das informações que foram concedidas pelo STF. "Como o relator do processo no STF, ministro Ricardo Lewandovsky, havia negado acesso a esses documentos, eu não poderia conceder (o acesso). O material constitui de cópia do Inquérito 3.430, justamente o que o STF negou acesso ao pedido do requerente. A CPMI é detentora secundária de informações sigilosas. Se o Judiciário denegou o pedido do requerente, não pode a CPMI conceder", justificou o presidente da comissão.

Pedido de vista no STJ adia decisão sobre liberdade de Cachoeira

Também nesta terça-feira, um pedido de vista do desembargador convocado Adilson Macabu, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), adiou o desfecho sobre o pedido de liberdade de Carlinhos Cachoeira. Macabu pediu vista quando o placar já estava em 3 votos a 0 pela manutenção da prisão do empresário.

O pedido de habeas corpus está sendo analisado pela Quinta Turma do STJ, responsável por assuntos criminais. O empresário está detido desde o dia 29 de fevereiro como resultado da Operação Monte Carlo, da PF, que apurou exploração de jogos ilegais em Goiás. A operação também constatou a atividade de uma rede criminosa com a qual diversas personalidades públicas têm ligação.

Os ministros que votaram antes de Macabu entenderam que Cachoeira não pode responder à Justiça em liberdade porque há o risco de ele continuar chefiando o esquema criminoso que suspeita-se que ele comande. A maioria na votação por mantê-lo preso ainda pode ser revertida caso algum ministro decida mudar de ideia quando o julgamento for retomado. Enquanto isso, o empresário continua preso no Presídio da Papuda, em Brasília.

Com informações da Agência Câmara e Agência Brasil

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