Rogério Tolentino confessou que tomou um empréstimo de R$10 milhões no Banco BMG, a pedido da empresa de publicidade SMP&B, segundo o advogado Paulo Sérgio Abreu. Conforme o defensor, Tolentino repassou três cheques em branco assinados a Marcos Valério, porém nunca deu dinheiro a deputados do PP. “Ele tomou esse empréstimo a pedido da SMP&B. A própria empresa calçou um empréstimo com um CDB. Ele vai a SMP&B e dá ao Marcos Valério três cheques assinados em branco. Marcos Valério chama a denunciada Simone (Lobo, ré no processo do mensalão) e pede para preencher os três cheques com importâncias diversas. Ela os remete, por ordem de Marcos Valério, para três deputados do PP – Renato Janene, Pedro Henri e Pedro Corrêa”, sustentou Abreu.
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Para o advogado, as denúncias do Ministério Público Federal contra seu cliente são “confusas” e isso fez com que o relator da ação, ministro Joaquim Barbosa, cometesse equívocos ao classificar Tolentino como sócio de Valério. “Essa denúncia é um roteiro para novela das 8. Foi puxando daqui, esticando de lá e chegando ao estrondoso número de 40 (número inicial de réus do processo). Formou três quadrilhinhas para formar um quadrilhão. Esse foi um desejo da Procuradoria-Geral da República. A denúncia, inclusive, leva o eminente relator a cometer enganos”, criticou.
O próximo a sustentar a defesa é advogado Leonardo Isaac Yarochewsky, defensor de Simone Vasconcelos, ex-diretora financeira da agência de publicidade SMPB; e os advogados de Geiza Dias dos Santos, ex-gerente financeira da SMPB; e de Kátia Rabello, ex-presidenta do Banco Rural.
Os defensores de cada um terão até uma hora para sustentar a defesa de seus clientes. Entre os réus que serão defendidos hoje, o empresário Cristiano Paz responde por corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas. O advogado Rogério Tolentino responde por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção ativa. A ex-diretora financeira da SMPB, Simone Vasconcelos, e a ex-gerente financeira da mesma empresa de publicidade, Geiza Dias dos Santos, respondem por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas e corrupção ativa. A ex-presidenta do Banco Rural, Kátia Rabello, responde por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas.
O mensalão
O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.
Trinta e oito nomes são réus do processo do mensalão. Os ministros do STF se esforçam para que o caso seja julgado por todos, uma vez que em setembro o ministro Cezar Peluso completa 70 anos e se aposenta da magistratura.
Com informações da Agência Brasil