Política

Defesa argumenta que advogado não era sócio de Valério, nem praticou corrupção

Paulo Sérgio Abreu e Silva foi o segundo a falar no plenário do STF

Na sessão de defesa dos réus do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, o defensor Paulo Sérgio Abreu e Silva, fez a defesa de Rogério Tolentino, advogado das empresas de Marcos Valério, e contestou a acusação de prática de corrupção. Ele argumentou que seu cliente nunca foi sócio, dirigente ou gestor das empresas de Marcos Valério "Se ele não era sócio, como vai responder por corrupção ativa?", disse.

Rogério Tolentino confessou que tomou um empréstimo de R$10 milhões no Banco BMG, a pedido da empresa de publicidade SMP&B, segundo o advogado Paulo Sérgio Abreu. Conforme o defensor, Tolentino repassou três cheques em branco assinados a Marcos Valério, porém nunca deu dinheiro a deputados do PP. “Ele tomou esse empréstimo a pedido da SMP&B. A própria empresa calçou um empréstimo com um CDB. Ele vai a SMP&B e dá ao Marcos Valério três cheques assinados em branco. Marcos Valério chama a denunciada Simone (Lobo, ré no processo do mensalão) e pede para preencher os três cheques com importâncias diversas. Ela os remete, por ordem de Marcos Valério, para três deputados do PP – Renato Janene, Pedro Henri e Pedro Corrêa”, sustentou Abreu.

Assista ao julgamento ao vivo pela TV Justiça:



Para o advogado, as denúncias do Ministério Público Federal contra seu cliente são “confusas” e isso fez com que o relator da ação, ministro Joaquim Barbosa, cometesse equívocos ao classificar Tolentino como sócio de Valério. “Essa denúncia é um roteiro para novela das 8. Foi puxando daqui, esticando de lá e chegando ao estrondoso número de 40 (número inicial de réus do processo). Formou três quadrilhinhas para formar um quadrilhão. Esse foi um desejo da Procuradoria-Geral da República. A denúncia, inclusive, leva o eminente relator a cometer enganos”, criticou.

O próximo a sustentar a defesa é advogado Leonardo Isaac Yarochewsky, defensor de Simone Vasconcelos, ex-diretora financeira da agência de publicidade SMPB; e os advogados de Geiza Dias dos Santos, ex-gerente financeira da SMPB; e de Kátia Rabello, ex-presidenta do Banco Rural.

Os defensores de cada um terão até uma hora para sustentar a defesa de seus clientes. Entre os réus que serão defendidos hoje, o empresário Cristiano Paz responde por corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas. O advogado Rogério Tolentino responde por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção ativa. A ex-diretora financeira da SMPB, Simone Vasconcelos, e a ex-gerente financeira da mesma empresa de publicidade, Geiza Dias dos Santos, respondem por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas e corrupção ativa. A ex-presidenta do Banco Rural, Kátia Rabello, responde por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas.

O mensalão

O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.

Trinta e oito nomes são réus do processo do mensalão. Os ministros do STF se esforçam para que o caso seja julgado por todos, uma vez que em setembro o ministro Cezar Peluso completa 70 anos e se aposenta da magistratura.

Com informações da Agência Brasil


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