Política

Defesa de sócio de Marcos Valério contesta acusações a seu cliente

Hermes Guerrero foi último advogado a falar no julgamento do mensalão nesta segunda

O último advogado foi Hermes Vilchez Guerrero, que defende o publicitário Ramon Hollerbach
O último advogado foi Hermes Vilchez Guerrero, que defende o publicitário Ramon Hollerbach Foto : Nelson Jr. / SCO / STF / CP
O último advogado a fazer sustentação oral nesta segunda-feira no julgamento do mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF), foi Hermes Vilchez Guerrero, que defende o publicitário Ramon Hollerbach, que era sócio de Marcos Valério, dos crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Hollerbach junto com Valério e Cristiano Paz contribuíam para realização dos crimes de corrupção ativa.

“Hollerbach não pode ser condenado pelo seu CNPJ (cadastro das empresas na Receita Federal)”, disse Guerrero, lembrando que sobre Hollerbach pesam as mesmas acusações imputadas a Marcos Valério, dono da SMP&B. "Ele deve ser condenado pelo seu CPF. Ramon é citado 66 vezes nas alegações finais (do Ministério Público) e, em apenas uma, é citado sozinho", acrescentou o defensor.

Guerrero negou a participação de Hollerbach no esquema para comprar apoio de parlamentares. "Tive diversas reuniões com o Ramon, e foi aí que eu o conheci. Eu tive audiência muitas vezes por semana com ele. Por isso, eu sei de quem estou falando", ressaltou.

Na sessão des terça está prevista a defesa do empresário e sócio de Marcos Valério, Cristiano de Mello Paz, do ex-dirigente do Banco Rural Rogério Lanza Tolentino, da ex-diretora da agência SMP&B Simone Vasconcelos, da gerente financeira da SMP&B, Geiza Dias dos Santos e da ex-presidente do Banco Rural Kátia Rabello.

A fase das sustentações orais começou nesta segunda e está prevista para terminar no dia 14. Em cada sessão, são ouvidos cinco advogados, segundo a ordem da denúncia. Eles têm até uma hora para defender seus clientes. Apenas nesta segunda-feira falaram no STF os defensores de José Dirceu, ex-ministro e ex-deputado, José Genoino, atualmente assessor do Ministério da Defesa, Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, e do empresário Marcos Valério.

O mensalão


O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.

Trinta e oito nomes são réus do processo do mensalão. Os ministros do STF se esforçam para que o caso seja julgado por todos, uma vez que em setembro o ministro Cezar Peluso completa 70 anos e se aposenta da magistratura.

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