“Hollerbach não pode ser condenado pelo seu CNPJ (cadastro das empresas na Receita Federal)”, disse Guerrero, lembrando que sobre Hollerbach pesam as mesmas acusações imputadas a Marcos Valério, dono da SMP&B. "Ele deve ser condenado pelo seu CPF. Ramon é citado 66 vezes nas alegações finais (do Ministério Público) e, em apenas uma, é citado sozinho", acrescentou o defensor.
Guerrero negou a participação de Hollerbach no esquema para comprar apoio de parlamentares. "Tive diversas reuniões com o Ramon, e foi aí que eu o conheci. Eu tive audiência muitas vezes por semana com ele. Por isso, eu sei de quem estou falando", ressaltou.
Na sessão des terça está prevista a defesa do empresário e sócio de Marcos Valério, Cristiano de Mello Paz, do ex-dirigente do Banco Rural Rogério Lanza Tolentino, da ex-diretora da agência SMP&B Simone Vasconcelos, da gerente financeira da SMP&B, Geiza Dias dos Santos e da ex-presidente do Banco Rural Kátia Rabello.
A fase das sustentações orais começou nesta segunda e está prevista para terminar no dia 14. Em cada sessão, são ouvidos cinco advogados, segundo a ordem da denúncia. Eles têm até uma hora para defender seus clientes. Apenas nesta segunda-feira falaram no STF os defensores de José Dirceu, ex-ministro e ex-deputado, José Genoino, atualmente assessor do Ministério da Defesa, Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, e do empresário Marcos Valério.
O mensalão
O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.
Trinta e oito nomes são réus do processo do mensalão. Os ministros do STF se esforçam para que o caso seja julgado por todos, uma vez que em setembro o ministro Cezar Peluso completa 70 anos e se aposenta da magistratura.