Política

Defesa nega participação de Genoino nas finanças do PT

Luiz Fernando Pacheco foi o segundo advogado a falar no plenário do STF

Ministros se reúnem em sessão no STF para ouvir advogados de defesa dos réus no processo do mensalão
Ministros se reúnem em sessão no STF para ouvir advogados de defesa dos réus no processo do mensalão Foto : José Cruz / ABr / CP
O advogado Luiz Fernando Pacheco afirmou nesta segunda que o ex-presidente do PT José Genoino não participou dos acertos financeiros do partido. Na sustentação feita no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a sessão que julga o processo do mensalão, Pacheco disse que, em 2002, Genoino estava afastado do diretório nacional da legenda porque concorreu ao cargo de governador de São Paulo. Só assumiu a direção petista em 2003, com a ida de José Dirceu para ocupar o cargo no governo Lula de ministro-chefe da Casa Civil. "Ele não é réu pelo que ele fez ou deixou de fazer, ele é réu pelo que ele foi. Ele foi presidente do PT", afirmou Pacheco, que no início da defesa ressaltou que seu cliente tem um padrão de vida de classe média, morando na mesma casa há 30 anos. "Não há nenhum fato, nenhum ato, nada concreto que sustente a condenação de Genoino", completou.

Assista ao julgamento ao vivo pela TV Justiça:



Segundo o advogado, Genoino não cuidou da finanças do partido, delegando essa tarefa para o então tesoureiro do PT Delúbio Soares. O defensor lembrou que as finanças do partido estavam "em frangalhos" depois da campanha de 2002. Por essa razão, o defensor do ex-presidente do PT disse que o diretório nacional optou por fazer empréstimos para arrumar as finanças. "São dois contratos dos quais o Genoino foi avalista, contratos esses que foram firmados com o conhecimento de toda a direção do PT", afirmou, ao ressaltar que se os contratos fossem ilegais, o Ministério Público teria oferecido denúncia por falsidade ideológica. Pacheco disse que os contratos firmados pelo PT serviram para saldar as dívidas de 2002 e socorrer os diretórios estaduais. Segundo ele, o publicitário Marcos Valério "nunca" tratou desses empréstimos com Genoino. Ao longo da sustentação oral, o advogado citou vários depoimentos para confirmar a defesa de que o ex-presidente do PT passou ao largo da administração financeira do partido durante o início do governo Lula.

Luiz Fernando Pacheco falou depois de José Luis Oliveira Lima, advogado de José Dirceu, que pediu a absolvição do cliente por falta de provas. Nesta segunda-feira, um total de cinco defensores falarão no STF e terão até uma hora para defender seus clientes. Na sequência, quem fala é Arnaldo Malheiros Filho, defensor de Delúbio Soares. Marcelo Leonardo fará a defesa de Marcos Valério e Hermes Guerrero é o advogado de Ramon Hollerbach. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem aos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. O empresário Marcos Valério e o sócio dele respondem por corrupção ativa, formação de quadrilha, peculato, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

O mensalão

O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.

Trinta e oito nomes são réus no processo. Os ministros do STF se esforçam para que o caso seja julgado por todos, uma vez que em setembro o ministro Cezar Peluso completa 70 anos e se aposenta da magistratura.

Com informações da Agência Estado e Agência Brasil

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